domingo, julho 5

ao acordar não há sonho
















sofrimento não pode te ensinar nada.
se o sofrimento fosse um grande guru,
a humanidade depois de milenios de sofrimento
estaria totalmente iluminada.
sofrimento leva somente a mais sofrimento,
um círculo vicioso, samsara.
simplesmente porque sofrimento é imaginado
tanto quanto você.
não há você para aprender nada.
sofrimento é paisagem mental.
uma região que somente existe na mente.
precisa de uma estória do mim e o outro.
além disso, tudo está bem,
vivo e pulsante.
ser é alegria silenciosa,
aqui agora.
olha mais fundo
ou acomode-se com o consolo
que amanhã não sofrerás
se abraças o imaginado.
não há você para sofrer.
não há você.
e você não pode fazer nada
a respeito do sonho
enquanto sonha.
acordar seria uma possibilidade
se o sujeito sonhado pudesse fazer algo.
ao acordar não há sonho
de você sofrendo.

sexta-feira, maio 22

festival de inverno com satyaprem



A imagem que você tem de si é um ruído.
E é esse ruído que o impede de dar-se conta do esssencial,
do Silêncio que você é.

Silêncio é tudo!
E remover o equívoco é fundamental.


sexta-feira, maio 8

sexta-feira, novembro 14

fragmentos de transparência



Você está em busca - só não sabe em busca do quê.
A busca é pela sua verdadeira natureza.
No entanto, no meio do caminho,
essa busca pode ser confundida com a busca por
dinheiro, poder, relacionamento, satisfação etc.
Mas tudo isso é temporário.

Você só sofre porque quer felicidade, por querer,
mas veja que a felicidade vem e vai, o sofrimento vem e vai... nada fica.
Essa é a lei da periferia: ir e vir. Tudo aquilo que aparece, desaparece.
Tudo aquilo que vem, vai.

Só tem uma coisa que não vem, nem vai, que fica permanentemente.
Atente para isso!
Encontre aquilo que nunca foi, nunca irá e não veio de lugar.


sexta-feira, setembro 5

Satyaprem para "El país" de Cali/Colombia


Assista à entrevista completa neste link: 
http://gente.elpais.com.co/gente-pasiones/buena-vida/satyaprem-y-exito

sexta-feira, junho 6

[teaser] festival de inverno 2014



"Tudo o que você conhece, conhece através da mente. Estamos aqui para nos aproximarmos de uma realidade além do corpo, além da mente. Observação é a realidade do buda."

Satyaprem

domingo, janeiro 26

"provocações"




Antonio Abujamra entrevista Satyaprem
Programa Provocações, da TV Cultura, 
exibido em 14 de janeiro de 2014

segunda-feira, janeiro 13

tirando o chapéu para a paz


Participante – Imagino que um buda seja quando ele consegue ser a essência dele, a paz junto com o corpo e com a mente... Quando ele não foge, quando não tem um monte de máscaras.

Não. Não é nada disso. Você precisaria de tempo para tirar as máscaras. Que máscaras? Para inventar as máscaras ou falar delas, você precisa de tempo. No Zen, costumam dizer que todos os desejos, todas essas construções mentais, são como flores no ar.

Participante – Por que?

Dê uma olhada! Tem alguma flor no ar?

Participante – Não.

Agora, arrume essas flores que estão no ar. Você consegue? Veja quanto tempo você perde tentando arrumar algo ilusório – maya. Você está tentando arrumar algo que nem existe.

Sei que não é tão fácil de entender, mas tente acompanhar, devagarinho, até que esteja cozido o suficiente para que você possa saborear.

Não tem máscaras. Assim como não tem problemas. Veja! Tudo o que capitalizamos como problemas e, ainda, reverenciamos como "nossos", não passam de flores no ar. Olhe nesse instante: qual é o seu problema? Tem algum problema?

Participante – Nossa! É constrangedor.

A simplicidade é constrangedora, não é?

Participante – E dá muita paz.

Sim. Toda a paz do mundo. Não tem problema.

sábado, janeiro 11

uma grade não esconde o céu
















Participante – Satyaprem, isso que falam de "agir com o coração" ou "agir com a razão" é imaginação?

Sim.

Participante – Mas parece que existe uma diferença em agir com o coração ou com a razão. Não tem?

É você quem escolhe?

Participante – Em princípio, sim. Ou não?

Para os que sugerem essa divisão, agir com o coração não é nada mais que "ser bonzinho", e agir com a razão é "ser calculista". O que preciso relembrar é que essa linguagem é terapêutica. É uma linguagem relativa, serve o relativo, o temporário. Permite que as pessoas permaneçam identificadas com o que não são, com o periférico, aquilo que se pode reduzir aos mapas. Investigue: o Ser tem coração? Onde você encontra o coração ou a razão? Estamos falando da periferia ou não?

Uma vez que você desapareça no Ser, todas essas coisas são abandonadas. Aliás, Osho fala: "Você não tem coração nem mente. Essa é a linguagem dos sentidos, tudo isso deve ser abandonado". 


Houve um momento, no processo da busca espiritual, que mudaram o discurso do pensar para o sentir, muito instrumental – da "razão" para o "coração". Agora: neti neti, nem isso nem aquilo. Deixe o Ser falar. Quando Ele fala, passa por onde tiver que passar – seja pela cabeça, pelo coração ou pelos seus pés. Uma grade não é obstáculo para o céu. Veja!

quinta-feira, janeiro 9

o cavalo do silencio e a rosa

















"seja em silencio.
não busque a fama.
ao invés,
cavalgue seu cavalo
para dentro do roseiral da alma.
tenho lá uma rosa te esperando."

RUMI


Ressalto que a relatividade deve ser compreendida. Você não precisa chegar em casa e anunciar que "não tem nada, só tem silêncio". Tome cuidado! O importante é que isso esteja aceso e claro dentro de você, como uma luz brilhante.

O que pode manter essa chama acesa é não julgar a si mesmo, nem aos outros, não se orgulhar dos seus atos, nem dos atos dos outros, por exemplo. 

Não existem negócios no passado e no futuro. Manter a chama acesa significa questionar e descobrir aquilo que pertence à mente e aquilo que não pertence.

Ao perceber que o aparente é trazido pela sua mente, você retorna à fonte. Somente o ego tem negócios na superfície, por isso se nega a ver o que é Verdade. Isso ocorre para impedir que você se volte para sua natureza original. 


Porém, com clareza, veja que só há Silêncio – e nenhuma necessidade de alarme sobre isso. Dedique-se a isso. A cada segundo de sua respiração, a cada segundo da sua vida, dedique-se a Isso. Dentro. 

sexta-feira, janeiro 3

o eterno fluir da água da verdade nas infinitas cabeças da ilusão


















Dê-se conta de que o estar no mundo, tal qual se percebe, é uma farsa completa – e que  será destruído isso para emergir quem você é. Ao perceber que você não é o seu nome, nem o que você faz, nem o que você vê, nasce a pergunta fundamental: quem é você?

Este é o começo do encontro, este é o primeiro toque da Verdade na sua cabeça, na sua mente. Note que você não tem a menor ideia a respeito de si e de tudo o mais, e que, infinitamente, apenas tem repetido o que os outros disseram... Mineira. Mulher. Um espírito encarnado. Você se resume a isso?

A brincadeira, então, é confrontar a verdade com bom humor. Sem bom humor não tem chance. Uma grande dose de bom humor é fundamental, porque – quando você menos espera – terá que entregar tudo aquilo que preza como real e, por último, entregar a si mesmo. É uma entrega constante.

Segundo o nosso condicionamento, almejamos o processo mais curto possível para a realização dos nossos objetivos. De preferência, aquele que ofereça o maior grau de segurança também. Por isso, mesmo diante da Verdade, você tenta barganhar. Você vê que Consciência é tudo e sai repetindo isso por aí, como se já tivesse realizado –  “Pronto, já sei!” –, mas isso não significa nada. Você permanece na escuridão dizendo que é Consciência.


Aliás, Consciência é você, mas “você” não é Consciência. 

quinta-feira, dezembro 26

o sono do boi e a canção do silencio

















Você insiste em se relacionar com o seu pequeno ser, tentando melhorá-lo, seguindo a tese psicanalítica de que quando compreender toda a inconsciência do seu pequeno ser, vai se tornar mais consciente. Essa é uma história para boi dormir.

Com a firme decisão de ver o que está sendo apontado, você troca uma coisa pela outra. Imediatamente, troca o pequeno ser pelo verdadeiro e, ainda, realiza que onde repousa a sua natureza original não existe nem isso nem aquilo.

Quando você se vê como o verdadeiro ser não existe outro. Qualquer divisão é um retorno ao seu pequeno ser, um retorno à pequena tragicomédia humana, ao pequeno drama divino. Você estabelece o seu drama desenhando isso ou aquilo, "eu" e o "outro", preto e branco, azul e amarelo, o de cima e o de baixo, o esquerdo e o direito.

Retorne para aquele lugar onde não existe nem uma coisa nem outra. Em sua natureza original não existe nem isso nem aquilo. Aquilo que você é não tem gostos nem desgostos. Por isso há compaixão. A porta da compaixão não é um exercício do pequeno ser, é a realidade do seu supremo ser, é a canção do silencio.

Reforço: não façamos do supremo ser, aquilo que é, uma possibilidade remota e futura. O supremo ser se encontra exatamente aqui, exatamente agora. Apenas não se confunda com o que é visto.

quinta-feira, dezembro 19

não morda na placa!


O verdadeiro autoconhecimento é saber quem é você, e a pergunta básica é "quem é você?". Conhecer o seu passado é apenas conhecimento do passado, não é autoconhecimento. E, ainda, de que forma isso o ajuda? Nenhuma. Isso só pode ajudá-lo a sentir-se melhor a respeito de quem você pensa que é, nada mais.

Conhecer a si mesmo não tem a ver com Psicologia, não tem a ver com interpretação ou análise. É um profundo corte com a mente! Autoconhecimento é descobrir quem você é, e a mente não pode ajudá-lo nisso.

Participante – Mas existem pensamentos que refletem a Verdade, não é?

Nenhuma reflexão é a Verdade. Como um reflexo pode ser verdade?

Participante – Mas pode apontar, como uma placa?

Pode, mas ainda assim não é a Verdade. A placa nunca é a verdade. Se tem uma placa com a palavra "banheiro", significa que é ali que você deve cagar?

Não confunda a placa com o que você está buscando. O fato é que está todo mundo cagando na placa. Ou, de uma maneira mais elegante, como dizia o Osho: "Não morda o meu dedo, olhe para onde estou apontando". Se aquilo para onde está sendo apontado desperta algo em você, bem vindo. 

quarta-feira, dezembro 11

ana maria que estás na periferia...


Quando perguntam "quem é você", você nota que a resposta dada, geralmente, é apenas um nome? O nível de conhecimento a respeito de si mesmo é tão superficial que para a maioria das pessoas um simples nome aparece como resposta.

Na verdade, o que acontece é que ninguém sabe e nem quer saber o que há além dessa superfície. Tudo o que importa é o seu nome, o sobrenome e o que você faz. Fora isso, o que você sabe? Quem é você?

Nem sequer um confronto com outros possíveis nomes vem a ser possível. Você está piamente convencida a respeito de ser a "Ana Maria". No entanto, o seu nome é o aspecto mais exterior de você, é apenas uma placa através do qual você é localizado no mundo. É um rótulo. E, como todo rótulo, está fora. Assim como todos os outros rótulos: sexo, idade, profissão, classe econômica, etc. Tudo na periferia.

Por isso, quando surge o anseio em conhecer a si mesmo, o primeiro passo a ser dado é para dentro. Nenhum aspecto periférico a você pode ser você. Você está dentro, nesse não-lugar, vendo todos os acontecimentos que ocorrem fora. Você vê o seu nome, portanto, não pode sê-lo...

quarta-feira, dezembro 4

aquilo que vê não pode ser visto


























Existe um aspecto da periferia que vem a ser muito pertinente. Você registra a si mesmo pelo que vê, mas em Satsang a proposta é que você comece a descobrir que você não é aquilo que você vê.

Para nos darmos conta disso, usamos uma matemática muito simples. Veja se você acompanha: você está me vendo?

Participante – Sim.

Eu sou você?

Participante – Não.

Pronto! Terminou.  Se você olhar para isso – e entender profundamente – acaba a novela, o drama.

Você não é aquilo que você vê, e é claro que para compreender isso em total profundidade, em total tranquilidade, muito há de ser destruído. Mas vamos por partes, não tem pressa. Desconstruindo, pouco a pouco, quando você menos esperar, estará com a cabeça na boca do leão.

segunda-feira, dezembro 2

o todo não cabe na parte




















Estamos aqui por um simples propósito: para que você lembre de quem você é.  Ou você retém a ideia de que você seja um pensamento, ou se dá conta de que você não é um pensamento.

Se você se dá conta de que você não é um pensamento, todas as portas se abrem. Se você retém a ideia de ser um pensamento, permanece num círculo sem fim. Continua vendo a si mesmo como aquilo que a sua mente propõe – e, obviamente, essa proposta é limitada.

Consequentemente, nasce a tendência de arrumar este pensamento. Mas é difícil arrumar um pensamento, porque sempre que você "precisa" dele, ele não está lá. Nesse sentido, você está lidando com algo fantasmagórico, não-existencial.

Se você se dá conta de quem você é, abandona este pensamento e encontra a si mesmo em totalidade. Mas, saiba, esse "encontrar-se em totalidade" não cabe na sua mente.