sábado, dezembro 29

zen solitude


O Zen propõe perguntas que inquietam a fim de que você descubra a verdadeira quietude. E quietude não é o resultado de algum fazer, é um campo onde todos os ruídos ocorrem.

Desde uma perspectiva "findemundiana": quantas vezes você tomou uma cachaça por causa da solidão, sem se dar conta da companhia, da presença da botella?

Solidão é a ausência do outro. Solitude é a ausência de si. A solitude destrói a noção do eu. Quando existe você, existe a sensação de separação. Desde o nascimento do eu existe o outro. Ao dar-se conta do mais profundo, você some e o outro, necessariamente, some. 

Tudo pode ser uma boa companhia. Até o fato dos seus ouvidos estarem ouvindo é motivo de celebração. Neste encontro, portanto, quero convidá-lo a um banho de solitude. Saiba: "quem é você?" e "o que é solitude?" são totalmente relacionadas.

A mente quer preencher – porque ela sabe que é vazia. Na solitude não há motivo nem para a alegria nem para a tristeza, porque na solitude não tem "você" para estar alegre ou triste. A mente diz que você é um objeto. Mas você não é um objeto, você é onde todos os objetos ocorrem.

O convite desse encontro é ir-se, ir à solitude. Xô, você! O mundo acabou dia 21 de dezembro – o que você está fazendo aqui? É na ausência de si que existe a Presença. 

quarta-feira, dezembro 26

inconcebível e sem nós


Diante do apontamento que Satsang promove, apenas esteja presente, ouça como se fosse um som desconhecido. Fique quieto e centrado naquilo que está sendo apontado. Talvez o que vem a ser revelado já tenha sido absorvido como verdade para você e seja por este motivo que você está aqui mais uma vez. Sendo assim, simplesmente repouse naquilo que você é, no Silêncio que você é.
Isso é Satsang: o encontro com a Verdade. Não se trata da minha ou da sua verdade. Aqui, não existimos. Não há "nós". Estamos aqui para ver a Verdade encontrando-se com Ela mesma. O Silêncio diante de Si mesmo. Isso é auto-evidência. Este é o verdadeiro auto-conhecimento.

Só há uma coisa a ser levada a sério: fazer com que essa nova visão penetre o mais verticalmente possível nas suas relações consigo mesmo e com o mundo a sua volta. Essa é a única maneira de mudar o mundo. É o "seu" mundo que deve mudar – todo o resto é consequência.

Diante de qualquer dúvida, mantenha a lanterna nas mãos. Acima de qualquer questão, o que tem que ficar muito nítido primordialmente é: quem é você? Esse deve ser o eixo do seu mover-se no mundo. É a partir desse eixo, dessa visão, que você se move e se relaciona com todos os objetos – palpáveis, emocionais, pensamentais etc. Por isso, atenção! Quem é você? A partir de como você se concebe, é gerada a sua concepção de mundo.

sexta-feira, dezembro 21

o mundo, a mente e o fim


É isso o que tenho para dizer por hoje: todo o seu mundo, o mundo em que você vive, o mundo que você concebe, foi ditado por alguém – é um mundo terceirizado.

Proponho um leve desvio: como seria o mundo diretamente, sem a mediunidade de outrém? Sim, porque vivemos um mundo mediúnico, as nossas relações com os objetos sofrem o intermédio daqueles que nos circundam. Você não sabe o que é nada, até que alguém diga o que aquilo é.

Aqui, corremos um risco: eu vou dizer quem você é, ainda que não seja o suficiente – pois você vai ter que descobrir diretamente. Este será meu intuito:  eu digo e não vou descansar até que você veja com seus próprios olhos.

Dê-se conta que isso que você chama de "copo d'água" não é um copo d'água. É pacífico que este seja o nome do objeto e que usemos esse nome, não há nenhum problema com isso. Mas o fato é que o objeto não é o nome do objeto – existe uma diferença abismal entre o objeto e o seu nome.

Agora, veja: o mundo em que você vive, essa casa fechada, é um substrato totalmente intermediado por outros. Tudo é o que o outro diz. Você pergunta para o médico e até para o espelho se você está bem. O hábito é tão arraigado que você não se dá conta que, na verdade, toda a sua informação a respeito de si e do mundo provém de outro alguém, ela não é diretamente sua. É crítico.

Proponho, portanto, que você veja algo que não tem a ver com o que você aprendeu. Aliás, aquilo que você aprendeu serve, tem uma função social – promove a comunicação, a socialização –, mas não faz com que você descubra quem você é. 

quinta-feira, dezembro 20

nuvens vêm e vāo


É certo que você adoraria ter certeza a respeito de todas as coisas. Assim você se sente seguro, com o controle. Mas não há nenhuma segurança naquilo que pode ser perdido. Mesmo o que você sabe hoje, pode ser perdido amanhã.

Memórias vêm e vão. O cérebro não foi desenhado para guardar bobagem, ele raciona muito inteligentemente o conteúdo a ser armazenado. Você desprende enorme energia mental, e muitas vezes física, tentando manter as suas memórias. Definitivamente, tem coisas que você não precisa se ocupar em guardar, a qualquer momento pode dar um Google e lá está o que você precisa.

Estamos passando por um período extremamente revolucionário em diversos sentidos. Está claro que não precisamos mais nos relacionar com os mesmos objetos, há algo novo muito latente. E a mudança está ainda mais evidente, tudo passa e tem passado com ainda mais potência. As ordens, os valores estão mudando. Quiçá seja um passo para que as fronteiras também se dissolvam.

Então, comece por derrubar o muro que o separa – imaginariamente – do resto do universo. Coragem de deixar de lado todo o conteúdo que você armazena como verdade, como valioso, é fundamental.

De uma maneira confrontacional, olhe a sua volta, olhe para todas as respostas que te foram dadas e questione-se: Quem sou eu, afinal? Se você consegue colocar de lado, por um mínimo instante que seja, todos os seus saberes, tudo aquilo que o seu maior professor tenha dito, fica muito simples. Encontre Aquilo que é intocável. Ao tocá-Lo, a resposta fundamental resplandesce.

terça-feira, dezembro 18

nu, vazio de sapatos, o infinito


Que idade você tem? Antes de seguirmos, pondere: para onde você olha ao responder essa pergunta?

Estamos tão condicionados – todos co-respondem a essa e outras questões primárias do mesmo jeito – que você simplesmente copia. Imita. Desse modo, conversarmos se torna um pouco difícil. Isso é o que chamamos de "inconsciência" e é a partir disso que todos vivem, convivem e se relacionam. 

Eu pergunto: Que idade você tem? Quando me responde "Tenho 27 anos", para onde está olhando? Articuladamente, você pensa que essa resposta parte de um simples cálculo matemático – que basta somar os anos que se passaram desde o seu registro de nascimento. Parece plausível, mas na verdade essa resposta parte de um engano. Você está equivocado a respeito de quem você é e se identifica com aquilo que acontece ao corpo e à mente como sendo você. 

Ano a ano, todos reforçam e te lembram o equívoco, o imaginado. Maya. A importância dada a esse engano é tanta, que há aqueles que começam a camuflar suas idades, como se isso mudasse algo. Olhando de outro ponto de vista, isso só reforça a relatividade dessa brincadeira chamada "corpo", chamada "mente", chamada "tempo", chamada "idade".

Quando pergunto "Quem é você?", imediatamente você vasculha na sua mente um registro qualquer, ou o melhor que você tenha para retratar. Isso significa que você está longe da realização de quem você é de verdade. Pare um pouco e veja. Tente acessar uma resposta original. Pegue tudo o que você leu e aprendeu e coloque de lado. Deixe todos os seus saberes lá fora, junto com seus sapatos, e venha para dentro nu. Vazio de conteúdo. Vulnerável ao desconhecido.

De repente, se "Não sei" se apresenta como resposta a alguma dessas questões, isso quer dizer que você está se aproximando ou está muito próximo daquilo que Satsang nos revela.

A verdade é que às vezes você tem 27, às vezes 14, às vezes 79, às vezes 150 e, principal e primariamente, há Algo que não tem idade. É infinito. Isso é o que chamo do "verdadeiro você". Tudo o mais está relacionado ao corpo e à mente, são percepções dentro do infinito que você é. Nesse momento, para onde você escolhe permanecer olhando?

segunda-feira, dezembro 17

o buda, o boi e o drama da telha


O Zen compartilha uma bela história conosco...

Quando jovem, Basho praticava incessantemente a meditação. Numa certa ocasião, seu mestre Nangaku aproximou-se dele e perguntou:
– Por que praticas tanta meditação?
– Para me tornar Buda.
O mestre tomou uma telha e começou a esfregá-la com uma pedra. Intrigado, Basho perguntou:
– O que fazes com essa telha?
– Pretendo transformá-la num espelho.
– Mas por mais que a esfregues, ela jamais se transformará num espelho, será sempre uma pedra, uma telha.
– O mesmo posso dizer de ti, por mais que pratiques meditação não te tornarás Buda.
– Então, o que fazer? - ele pergunta.
– É como que fazer um boi andar.
– Não entendo.
– Quando queres fazer um carro de boi andar, bates no boi ou no carro?
Basho não soube o que responder. Então, o mestre continuou:
– Buscar o estado de Buda fazendo apenas meditação é matar o Buda, dessa maneira não acharás o caminho certo.

E você? Você bate no carro ou bate no boi? Se o carro de boi precisa andar, em quem você bate? Praticar alguma coisa ou olhar em algum outro lugar significa que você está buscando o que você não tem.  É exatamente assim que o Buda morre,  é assim que Ele é morto,  é assim que você O mata. Você busca a realização do Buda porque você afirma "Eu não sou o Buda". Afirmando isso, você está mentindo. E é somente isso que o afasta da realização.

sexta-feira, dezembro 14

infinitas possibilidades e a pura aceitação da boa companhia


"Satsang" pode ser traduzido também como estar em boa companhia. Mas compreenda: não estou propondo um caminho. Proponho simplesmente que você reconheça por si mesmo a verdadeira boa companhia, a Verdade.

Só há um obstáculo: para ver quem é a boa companhia, para ver o que é a Verdade, você precisa despertar para o fato de que você é o único obstáculo. Este "você" ao qual me refiro aqui é o você que você pensa que é – aquele que se pensa. 

Dê-se conta de que esse "você" não passa de uma construção mental, de uma entidade dentro de infinitas possibilidades. No entanto, não está em pauta escolher uma ou outra possibilidade, nossa pauta consiste em permanecer silencioso e ver que nenhuma possibilidade é a Verdade ulterior, é a boa companhia.

A boa companhia é exatamente onde as possibilidades ocorrem. O corpo-mente com suas sensações e pensamentos são possibilidades ocorrendo em boa companhia. E consciência é nenhuma das infinitas possibilidades.

quarta-feira, dezembro 12

a alternativa mais bela ou o conto do fim do mundo

O ser humano, tal qual se encontra, vive sob a filosofia do medo. Isso tem deixado o mundo feio. As relações são feias. As armas são feias, os limites entre os países são feios.

Tudo o que é criado com a filosofia do medo deve ser destruído. E, de alguma forma, note: ainda que inconscientemente, o próprio "ser humano" está destruindo a feiúra em que o mundo se encontra, construída por ele mesmo. Chegamos num ponto em que não dá mais pra ir em frente, e como – seguindo o medo, a mente – não é possível ver a alternativa do belo, o mundo está se auto-destruindo.

Qual a beleza em produzir mais um milhão de carros este ano e soltá-los caoticamente nas ruas? O que será de São Paulo? A ideia é ter lucro simplesmente, como se a única alternativa de trabalho, de crescimento, de progresso fosse construir carros. Entende por que estou chamando de "feio"?

O belo sempre sugere alternativas viáveis para todos. Essa é a brincadeira de estarmos aqui: dar boas-vindas a um mundo novo. Você teme o fim do mundo? Não tema! Bem vindo, fim do mundo! Esse é o despertar que a humanidade está prestes a vivenciar, estamos a caminho do fim do mundo da mente. Vinde o mundo da paz e da consciência!

Se você quer ajudar o planeta, o melhor presente que pode ser dado à humanidade é ir em direção ao silêncio e reconhecê-lo como quem você é. Existem pensamentos que intoxicam o ambiente. Não nutrir estes pensamentos deixa o ambiente mais límpido – logo, tudo em sua volta.

Como é o seu nome?

Participante – Rosa.

Era disso mesmo que eu estava falando... Você tem que deixar de ser humano e se tornar uma rosa.

terça-feira, dezembro 11

observaçāo é transformaçāo


A proposta, aqui, é voltar-se para si mesmo. Você está disposto? Decidindo por isso, pode que você tenha que excluir algumas coisas que não têm nada a ver com você. Se permite, vou te dar uma dica: comece com tudo! Faça uma triagem bem honesta e veja o que é que fica.

Ao se desfazer daquilo que não tem nada a ver com a sua essência, muito possivelmente você terá uma revelação. Revelação, em nosso contexto, é algo que vem de algures, algo que não está preso a nenhum compromisso mental. Uma revelação não está no script... De repente você ouve ou vê algo e PLIM! Definitivamente não tem como a mente reconhecer. A revelação de quem você é, é absolutamente – entenda bem, eu disse "absolutamente" – desconhecida para a mente.

Ser você é surpreendentemente muito mais simples e não tem nada a ver com o que você imagina. A mente é truculenta, é ela que propõe a complexidade. Ser você deve ser concebido como a única coisa que te resta – é um direito seu.

Quão disposto você está, em relação a isso? Quão honesto você pode ser consigo mesmo? Há quem esteja me ouvindo como um "calmante", há quem queira apre(e)nder para se dar bem, fazer um troco... São todas propostas da mente. Minha proposta é radicalmente que você assuma a sua verdadeira natureza, que você se mude da mente, dos sentidos, para a Observação.

Permitam-me falar hoje com tamanha densidade, mas é que tem muita bobagem em circulação. Corte a bobagem, o excesso, e olhe com muito carinho: a Verdade vai comprometer a sua noção de realidade, a sua noção de si. É um processo transformador. 

segunda-feira, dezembro 10

simples, autêntico e original


Faz parte desse momento histórico a desmitificação da espiritualidade. Você tem que abrir os olhos para o que há de espiritual na simplicidade de tomar um café, de comer um sanduíche, de ler um bom livro... ou de, simplesmente, respirar.

Não pode estar relacionado às sensações, pois a essência, o Buda está além dos sentidos. Toda a busca que ocorre através dos sentidos, em algum ponto, se frustra.

A verdadeira experiência mística não é sensorial, nem intelectual. Não é sequer uma experiência tal qual estamos condicionados a compreender o que seja uma experiência. Não existe imagem, conceito ou pensamento que definam a Consciência que você é. 

A mente insiste em conceitualizar, em tonificar, em imaginar. Ela, inclusive, investe boa parte do seu tempo em comparar. – "Você viu as barbas longas daquele yogi hindu? Somente quando a minha barba estiver daquele tamanho, estarei onde ele se encontra." É assim que a mente pensa. E você a segue sem pudor – tornando o seu despertar inalcançável.

A mente foi condicionada e a única coisa que você precisa fazer é ver isso transparentemente. Se você puder ver o funcionamento da mente, destacado dela, poderá desidentificar-se das suas propostas. Nesse ponto, se abre uma miríade de possibilidades, nasce o Ser. Novo. Fresco. Virgem. Intocável. Livre de qualquer discurso pregresso. Autêntica e originalmente, você.

sexta-feira, dezembro 7

de orgasmos cósmicos e outros mitos


A única proposta que Satsang nos traz é fazer um retorno ao Original. Se tem algo que precisa ser visto, primariamente, é: quem é você?

Lance essa pergunta a si mesmo, segure a respiração por um instante, não deixe que a mente responda, e veja. Está disponível a qualquer criatura. Se a intenção for correta e você estiver sendo bem encaminhado, só há uma possibilidade: a visão clara d'Aquilo que É. Aquilo que está por traz de todas as respostas impostas pela mente. Aquilo que está debaixo de todos os eventos. Aquilo que não tem nome, não tem forma, não tem idade. Aquilo onde tudo e todos acontecem.

O nosso encontro acende uma pequena chama, o quão longe irá esse fogo não sabemos. Depende do ambiente, depende do vento... depende da sua mente não investir em apagar a chama.

E, veja bem, é muito mais simples do que nos venderam e ainda vendem por aí. As pessoas aprenderam e esperam por "orgasmos cósmicos". A mente, na verdade, projeta também para a espiritualidade aquilo que ela conhece. Mas acontece que o Ser é completamente desconhecido, é um mistério para a mente – ela jamais O viu.  A ideia de uma sensação homérica é proposta pela mente. Ser você não é uma conquista, é a sua natureza original.

quinta-feira, dezembro 6

sofrimento é caricatura














Existe um condicionamento maniqueísta dentro deste ambiente chamado “mente” que, volta e meia, tenta remover aquilo que é indesejável a ela.

Ao contrário, Satsang nos revela que tudo – absolutamente tudo – é bem vindo. Porque, olhando com o olhar do Ser, não há diferença, não há separação. Tudo aquilo que acontece, acontece em você e é por isso que não tem como ser removido. Afinal, para onde iria, se tudo é Você?

Hoje reforço sua atenção a este chamado: não brigue. É da natureza da mente pensar, é da natureza do corpo sentir e a sua natureza é a Observação. Mantenha essa Realidade o mais próximo de você e verá que tudo se acomoda da maneira mais tranquila possível.

O mundo julga os acontecimentos e exige mudanças. A mente emite um pré-juízo e tenta fazer de você uma caricatura, algo artificial, uma ideia a ser reproduzida – aquilo que todos estão fazendo, repetida e inquestionavelmente. Manter-se preso a isso é o único sofrimento.

No momento em que você vê que não há absolutamente nada que não possa acontecer, ou melhor,  que tudo pode acontecer e acontece dentro de Você e não com você, você se liberta. Liberdade é saber quem você é. Liberdade é você. 

quarta-feira, dezembro 5

ecologia do silencio: você é a árvore




















Se te fossem roubados todos os objetos de adoração, de identificação, todos os  teus importantíssimos afazeres, você suportaria? Como é ser você? Você gosta da sua companhia?

Desde um certo ponto de aceitação, qualquer ação é satisfatória. A satisfação não depende da ação. É você que qualifica o que quer que seja, não são as coisas que qualificam você. Não é a ação, não é o fazer que te qualifica, é você que qualifica a ação. É assim que, em qualquer momento, qualquer que seja o seu fazer, ele é bom.

De fato, não tem problema em ser um açougueiro, até que venha a ser um problema. Quando digo isso, estou levando em consideração que você esteja pulsando no Ser, no Silêncio que você é. Estou considerando que você esteja alerta a respeito de quem você é. Alguns problemas – que poderiam nem ser chamados de "problemas" – não são mentais nem emocionais, são de adequação. Existem inadequações. É inadequado não ser você. E tudo é possível dentro dAquilo que você é.

Só há uma coisa que importa: olhe para dentro, perceba o agora e veja como é ser você, como você se sente em total conexão com Isso. Se acomode nisso e veja se essa presença tem alguma relação com fazer ou ter alguma coisa, ou se é independente.

Uma árvore sem raízes não brota, uma planta sem raízes não brota. Onde fica a sua raiz? A sua raiz é o Silêncio, a sua raiz é a conexão com essa silenciosidade, com essa presença plena e satisfeita em si. E nisso, as flores...

terça-feira, dezembro 4

de novo, de novo e mais uma vez, de novo
















O nosso encontro acontece como um reabastecimento, essa sala existe como um posto de gasolina – uma vez por semana você vem aqui e enche o tanque. Eventualmente é encontrada uma maneira do tanque não mais esvaziar. Talvez pareça uma metáfora meio grosseira, mas precisa ficar cada vez mais próximo de você a realização de quem você é, estou aqui para simplificar.

Não proponho uma reprodução das estruturas hierárquicas que o mundo nos deu historicamente. Se você precisa de alguém superior para convencê-lo, para tornar-se seu guia, sinto muito. Aqui, não proponho nenhuma distância, nenhuma prorrogação. É agora. Você já é você exatamente neste instante.

Esteja disposto a acender a sua própria luz, esteja disposto a cometer alguns enganos. A Verdade já é natural a você, apenas esteve encoberta. Não há nenhum outro encontro, senão com a Paz que você é. É essa Paz que nos liberta, porque é ela que inclui absolutamente tudo. Ela inclui o problema e a solução. A dor de cabeça e o alívio da dor.

Estar em Paz é estar aberto a todas as possibilidades, sem julgamento, sem condições. Essa é a realidade do Ser, isso é Você. E estamos aqui para rever Isso, de novo e de novo.

segunda-feira, dezembro 3

nenhum tom de cinza


















A luz não tem níveis, não tem fragmentos. É a sombra que tem tons de cinza – e a sombra é a ausência de luz. No momento em que a luz aparece, todos os tons, todos os níveis desaparecem.

Na presença da luz não pode haver um nível diferente do outro, porque não tem duas luzes. Na nossa linguagem, o plural de luz é luz. Porque a luz não é plural. Não é minha, não é tua. A luz é de todos e de ninguém.

Se você não se encanta por isso, pela paz que essa realização emana, então reveja mais uma vez os seus conceitos. Só podemos ir em frente se você quiser, precisamos ver em que degrau você parou. Observe atentamente onde você se encontra. Verifique os seus pensamentos com total simplicidade e objetividade. O convite é único, apenas esteja aqui e seja aquilo que você É. Isso é Satsang.

quarta-feira, novembro 28

o mistério do agora


Ao invés de por o Ser à prova, ponha a sua mente. Veja que apesar de todos os cursos, grupos de terapia ou pós graduações que você fez, apesar de todos esse anos de vida, quando "o bicho pega", você frita. Não é mesmo? Deve ser que haja um outro jeito de olhar para os acontecimentos que não passe pela mente, e é por isso que estamos aqui.

Neste momento, entra um convite à humildade, à paciência. É preciso ter paciência. Se a sua mente teve um grande poder sobre a sua vida até hoje, esse acidente de estar em Satsang, tentando penetrar em algo que acaba com ela, que a coloca em seu devido lugar, vai fazer com que ela reaja, esperneie. Isso é óbvio. E é por isso que paciência é necessária. Porque tudo é muito novo, apesar de já ser seu e de, no fundo, ser você. 

O condicionamento nos ensinou a ver o mundo e a nós mesmos de cabeça para baixo. Agora estamos retornando ao sentido correto e é por isso que tudo parece estar fora do lugar. Mas a verdade é que tudo estava fora de ordem, e olhando para dentro é que vamos deixar tudo o mais confortavelmente "no lugar" possível. Experimente!

"Quem é você?" – esse questionamento não propõe, de nenhuma maneira, um novo sistema de pensamento. Não proponho um sistema de vida. Não há cartilha, não há regras. Estamos falando do mistério, estamos apontando para o mistério. É o mistério que dissolve toda a bobagem, toda a mentira que tem sido agregada a si mesmo como sendo você, mas não é.

Não é uma piada que esse "agregado de mentira" queira testar o Ser? Como já disse: inteligência, definitivamente, não é patrimônio da mente. E, além de tudo, ela é prepotente. Como pode o impermanente, o passageiro, o temporário, testar o eterno?

Por isso, humildade e paciência. Isso pode levá-lo muito mais rápido ao descanso no Ser do que qualquer tentativa de compreensão intelectual. Não passa pela mente! Quantas vezes você terá que ouvir isso? Abra mão do mundo que você explora e crê através dos sentidos e entregue-se à existência no mundo do mistério. Essa entrega, essa confiança é o bastante.

terça-feira, novembro 27

alto, ajuda.

















Osho conta uma bela história sobre um mestre Zen, Joshu.

Um dia, Joshu caiu na neve e gritou:
– Ajude-me! Ajude-me!
Um discípulo de Joshu aproximou-se e deitou ao seu lado.

Joshu riu, levantou-se e disse ao discípulo:
– Certo! Perfeitamente certo! 
Isso é o que estou fazendo com você também.

Eu não posso fazer nada por você e, tampouco, você precisa de ajuda – esta é a verdadeira piada. Como posso ajudá-lo a entender que você não precisa de nenhuma ajuda? E o motivo é simples: não há ninguém para ser ajudado.

Para a mente é inaceitável, é inacreditável.

Alguma pergunta?

Participante – Enfim, estamos aqui.

Você tem certeza disso? Pode existir alguma outra possibilidade? Pode você não estar aqui? Onde é “não-aqui”? Você vê? Você não me compreende, eu sei.

Você pensa que está sentado aqui, porque parece que você está sentado. Você sente que está sentado... Mas acontece que os sentidos estão te privando do Real.

Algumas pessoas escrevem para mim e, claramente, querem ajuda. E eu “fico muito deprimido” porque não posso ajudá-los – a menos que eu entre na posição de vê-los como eles percebem a si mesmos. E a minha mensagem, se existe alguma, é que você não é aquilo que você percebe. Você é aquele que percebe. E este não pode ser percebido.

Mas você continua tentando arrumar o que é percebido, porque às vezes não está de acordo com aquilo que sua mente pensa que deveria ser. Ora! Corte a sua mente fora e está resolvido. Então, toda hora você pode perguntar a si mesmo: O que está acontecendo? Faça isso! O que está acontecendo? E veja para onde a flecha aponta.

domingo, novembro 25

agradavelmente perturbadora


Augusto Nunes entrevista Satyaprem para Veja.com



Assista na íntegra em www.satyaprem.tv

sexta-feira, novembro 23

o sonho e os cafetões do samsara

















Pondere: o que você quer? Olhe para o monte de coisas que você quer. Você não sabe nem por onde começar, e esse querer está sujeito a ser a sua maior perdição, pois sempre haverá alguém lhe prometendo alguma coisa, sempre haverão os “pimps of samsara” – os “gigolôs do samsara”.

Eles querem que você continue sonhando e, baseados na tese de que um sonho não dura para sempre, ficam apresentando mais sonhos. Hoje você se contenta com uma coisa, amanhã já quer outra e é a eles que você pode recorrer em busca da realização de seu novo sonho. Eles não estão pela Verdade, porque a Verdade é muito dura. Mas é somente  a Verdade que liberta.

Do ponto de vista cartesiano, linear, para desfazer os seus quarenta anos de condicionamento, seriam necessários um tempo relativo. E, sendo assim, a partir desse momento você não poderia mais ser condicionado a absolutamente nada, você teria que parar de cometer enganos e não poderia mais repetir nenhum erro. Mas, como sabemos, isso seria impossível, então os anos – a distância – até a sua realização vai aumentando. Até que você acaba desistindo e “entende” que somente numa próxima vida terá a chance de “acertar”.

Permita-me mostrar a partir de um outro ponto de vista. Se você se dá conta de que aquilo ao qual foi condicionado, em primeiro lugar, não é você e, em segundo, que originalmente você nunca foi condicionado: de quanto tempo você precisa para “des-condicionar-se”? Nenhum.

Participante – Isso seria um macete?

Chame como você quiser. O que importa é que, definitivamente, é isso. Porém, antes de qualquer coisa, o que tem que ficar absolutamente claro é “quem é você”. 

quinta-feira, novembro 22

o simples, antes de tudo


Perca as esperanças e descomprometa-se com a mentira. É legítimo não estar comprometido com o que não existe. Loucura é ter compromisso com o temporário, com o que não tem permanência. Observe como é fácil equacionar isso. Não existe nada errado em desrespeitar o irreal e buscar a realidade com coerência e respeito total.

O que é a realidade? O que está no fundo de todas as coisas? O que anima tudo? Os seus pensamentos, emoções, a comida que você come? Não. O que corresponde totalmente às suas expectativas? O que está sempre presente e nunca te abandona? Quem é você por trás de todas as camadas?

Acabe com a complexidade e fique com o simples. Falo da simplicidade anterior à decisão de você ser isso ou aquilo. Assista comigo a este espetáculo. Vejamos juntos aquilo que está antes de qualquer definição. 

quarta-feira, novembro 21

luz pacífica, paz sincera


















Tudo aquilo que você vê, deve ser consumido como um filme. Considere-se sentado no salão do cinema, assistindo um filme. Não tente compreender ou analisar, pois geralmente quando pensamos que algo foi compreendido, uma outra coisa começa a exigir sua compreensão. Não tem “o fim do jogo” – quando você vence uma fase, começa outra. Trata-se de um filme sem fim. Mas não perca essa metáfora: o que você está vendo é um filme.

Se você se imagina um personagem dentro do filme, está fudido. Porque a verdade é que sempre tem o diretor que está fazendo alguma coisa com esse personagem. Agora, se você não se vê como personagem e, sim, como a luz que elabora, que dá forma aos personagens e tudo o mais que aparece, isso proporciona tremendo distanciamento a respeito dos acontecimentos e, por conseguinte, distanciamento do sofrimento provocado pelo apego ao personagem.

Paz é o que emana desse destacamento. A relação tanto com o sujeito quanto com os objetos passa a ser outra, muito mais leve. Já chamei em algum momento de “paz sincera” e vou repetir porque essa expressão fala muito. As relações se tornam relativas. O que acontece entre os personagens é relativo. Você é a luz. E é muito pacífico ser a luz. Personagens têm conflitos, a luz é pacífica, ela inclui tudo. 

terça-feira, novembro 20

o céu azul e as nuvens, brancas ou não


















Aonde você quer chegar? Ou, ainda, quem é esse que quer chegar em algum lugar? Saiba: não-saber é a solução. Não-saber é o estado mais satisfatório que existe.

        – Como está o seu dia?
        – Não sei.
        – O que você vai fazer da vida?
        – Não sei.

Não é que você não saiba. A verdade é que ninguém sabe, mas todos pretendem que sabem. O propósito de estarmos aqui engendra atingir um nível de sinceridade ao ponto de assumir que não sabemos nada. Não tem “aonde” chegar. Aqui está perfeito. Aqui é sempre perfeito. Por que você quer ir a algum lugar? Na verdade, é um paradoxo, você tem saber que não tem o que saber nem quem saiba.

Nesse ponto a mente vai fritar um pouco. Ela tentará se sobrepor, por hábito. Mas a beleza é que quem você é de verdade é muito gentil e não se importa com esse movimento da mente. A mente pretende que você seja esse “você” que ela aponta o tempo todo – vivendo no espaço e no tempo – e você não se importa com o que ela propõe. Essa é a verdadeira sabedoria: saber que mais cedo ou mais tarde tudo vira fumaça, e aquilo que você é não vira fumaça, permanece. Existe um ponto de mutação, um ponto de ir além.

Aqui, compartilho um dizer Zen: “O céu azul não impede o flutuar das nuvens”. Você é o céu azul. O que você pensa que você é, o que você sente, as conclusões as quais você chega são nuvens. Nuvens em passagem. Nuvens com tal insubstancialidade que não dá para senti-las. As nuvens não são reais. 

segunda-feira, novembro 19

não-mente: você.















Tem a mente e tem “você”.  Você obedece a sua mente até que você desperte. Quando você desperta, você desobedece a sua mente. Na medida da desobediência, beirando o absoluto, a mente desaparece. Ela precisa da sua obediência, de alguma maneira, pra existir.

A mente diz “Estou cansado!”e o que você sente? A mente diz “Estou com sono!” e o que você sente? A fala dela é anterior ou posterior à sensação? Observe. Quem é que diz que isso é “cansaço”? Quem é que diz que isso é “sono”?

De onde vem esse metabolismo de experiências constantemente? Se você se presta à Observação desobediente dessas propostas, você se liberta. É como aquela história do iluminado que fuma e afirma que não é ele que está fumando. Mas isso burla a regra que a mente prega e obedece. Aqui cabe, então, compreender a questão fundamental: quem é você? Quem você pensa que é? Examina!

É nesse ponto que você pode se dar conta de que não tem como ficar livre de coisa alguma. Você só vai estar livre de tudo, quando estiver livre de você. Ou melhor, da noção que você tem de você. Você não é, nunca vai ser e nunca foi isso que você pensa que é. Existe um mal entendido. Dê-se conta!

quinta-feira, novembro 15

aceitando a não-aceitação












Participante – Satya, quando vi que o título desse encontro seria “Tathata” – aceitar aquilo que é – fiquei pensando que aceitar aquilo que é detona um certo conformismo. Ou você se refere a aceitar só Aquilo que é?

Diz respeito a não criar tensão interna.

Participante – Subir uma montanha de brita e estar feliz ali.

Sim, mas tenta entender melhor. Qual é exatamente a sua dúvida?

Participante – Às vezes eu penso que se uma situação está muito desconfortável eu quero mudá-la. Mas aí me vem a dúvida... Não sei de devo mudar a situação ou mudar isso que está questionando a situação.

Depende, as duas coisas podem ser passíveis de interferência. É importante saber o que está em jogo nessa necessidade de mudança particularmente. Não há uma regra rígida.

Verifique: você quer mudar para preservar a sua imagem ou quer mudar porque não aguenta mais a sua imagem? Se for a segunda opção, topo.

Quando se diz aceitar aquilo que é, não se refere a defender a sua imagem. Isso não significa que se te oferecem uma pedra para comer, você deva comê-la porque você é aceitação. Isso não faz o menor sentido. Aqui, o que é: aceitar que pedras não são comestíveis.

É muito delicado, há grande possibilidade de que sua mente o engane quanto essa questão. É preciso estar atento e comprometido para com a Verdade. Aceitação inclui tudo, absolutamente tudo, inclusive a não-aceitação.

quarta-feira, novembro 14

o ponto silencioso da despreocupação















O tempo todo você tenta aprisionar o temporário para mantê-lo sob controle, porém, não se dá conta de que isso é uma enorme perda de tempo. Proponho que a mesma intensidade que você deposita em manter as coisas controladas seja transferida para o lugar certo. Ponha toda essa energia em saber quem você é.

O Silêncio nos liberta do amanhã – das metas que tiram seu sono. Sem metas, você fica tranquilo. As metas dizem que você tem que fazer isso e aquilo, mas tem mesmo? Questione-se e descubra um ponto onde não há nada e não importa em qual direção está indo. O lugar aonde você quer chegar é imaginário – o “aqui” é muito mais interessante! O “agora” é muito mais interessante. É tudo o que há. Veja.

Do que você precisa agora? Não se submeta a nenhuma experiência sensorial. Olhe para dentro e responda. É necessário apenas coragem.

Não sei se há prontidão, mas teste. Se houver, há a coragem de assumir esse ponto silencioso no qual você está totalmente despreocupado. 

terça-feira, novembro 13

no cessar do imaginado, o ser sempre
















Não é possível permanecer equivocado. Se você não entende o meu verbo agora, conversemos. Lembre-se: estar em Satsang não é apenas ouví-lo, é vivê-lo. Seja retilíneo para como a experiência. Não estamos aqui falando a respeito de algo, estamos aqui sendo – e esse ser nunca passa, nunca se afasta, nunca vai a lugar nenhum, ele está sempre Aqui.

A mente, em contra partida, nunca se encontra aqui, por excelência, está sempre vagando em algum outro lugar. Tudo é aparência, nesse sentido, mas de qualquer maneira estamos falando de algo que não aparece. E a mente, você há de convir comigo, aparece e desaparece, aparece e desaparece... O conveniente, neste contexto, é se dar conta de que se você tem noção de que algo aparece e desaparece, então nasce a questão: aparece para quem? Desaparece para quem?

Revolte-se contra essa tendência condicionada de estar sempre com os olhos fixos no aparente. Pergunte-se brevemente: enquanto é aparente, enquanto é desaparecente, a quem isso aparece e desaparece?

Satsang é uma provocação para que você confronte tudo aquilo que, na sua mente, está assentado como realidade. Não tem nada real na sua mente – é tudo mentira. Essa simplificação, que muitas mentes não gostarão de ouvir, nos liberta de lidar com o imaginado. Sem imaginar o que quer que seja, me diga: quem é você? Sem imaginar o que quer que seja, diga para si mesmo quem você é! Sem imaginar o que quer que seja, veja quem você é.