quarta-feira, novembro 10

na entrega, o bambi lambe o seu nariz


















A grande liberdade que Satsang revela, é uma liberdade infinita.
Tudo está contido nessa liberdade.
Mas você decide que não quer mais ficar triste.
E este é o começo da escravidão.
 
No momento em que você decide que não quer mais isso ou aquilo,
você está decidindo pela não-aceitação - que é o antônimo de Deus,
de Liberdade, de Silêncio, do Ser. 
Se de repente ficar tácito que não tem o que excluir,
o segredo foi compartilhado e compreendido.
 
Enquanto
você não se der conta de que tudo pode ser contido em "quem você é",
você permanece brigando com aquilo que está, inclusive, o convidando
a abrir a possibilidade de dar boas vindas, de inlcuir tudo.
 
Seguindo a nobre verdade de Buda, de que tudo é sofrimento,
se você decide que não quer mais sofrer, você está indo contra a verdade.
E quando vamos contra a verdade, entramos num mundo totalmente ilusório.
Você pode até ficar suspenso na ideia de ter 'encontrado',
mas, de repente, você cai.
 
Tem a história de um homem que descobriu que todo o problema dele era uma grande árvore.
A cada primavera, dessa árvore brotavam milhares de folhagens malquistas, não aceitas.
Ele se empunhava de todo o tipo de artifícios para remover as folhagens indesejadas.
Se dedicava ferozmente ao assunto.
Até que num dia muito quente, no meio da floresta, enquanto destroçava todos os galhos,
depois de ter feito parte do seu trabalho - já com a expectativa de que tudo ia crescer de novo -,
ele caiu no chão de cansaço. Fechou os olhos e se entregou ao momento.
Nisso, um bambi surgiu de dentro da floresta e deu uma lambida no seu nariz.
Naquele instante, ele se deu conta de algo.
 
Você pensa: "dessa vez eu vou entender o que o Satya está dizendo".
Mas eu tenho uma má notícia: não tem como entender.
E esse é o grande impasse do nosso encontro.
Só quando você desistir, é que o bambi vai lamber o seu nariz.
Mas só quando você desistir.
 
A seqüência normal, devido ao nosso condicionamento, é de acúmulo.
Você pensa que só está faltando uma peça, e espera por ela.
Mas essa peça é um acúmulo, um acréscimo, uma coroação.
Eu tenho a peça que você procura, mas eu não posso dar.
E se você pegar, ela desaparece.
 
Se é que eu posso dizer que haja uma seqüência, a seqüência é outra.
Quando você cair de cansaço, o seu nariz será lambido.
Aqui, em nosso contexto, o que é cair de cansaço?
É a desistência. Não é uma desistência humana.
Não é como desistir e ir 'atrás' de outra coisa...
É como se você desistisse sem ir embora.
 
Dar-se conta do exato que você é,
não é motivo de coroação para aquele que você pensa que é até hoje.
Dar-se conta de si, é conhecer o caminho de Buda, é conhecer a si mesmo.
E "conhecer a si mesmo, é esquecer-se de si mesmo".
Ou seja, esse que você pensa que é, precisa ser totalmente esquecido.
E aí o verdadeiro "Si mesmo" lambe o seu nariz.

terça-feira, novembro 9

preso no teto do infinito



















O simples fato de sua atenção estar intencionalmente voltada para Satsang, já é uma virtude. E eu acho que é a respeito disso que falaremos hoje.

Para onde a sua atenção está voltada?

Tem um ditado que diz: “Quem planta vento, colhe tempestade”. E é assim mesmo, Tudo que plantamos pequenininho, cresce. Você planta um ventinho e colhe uma tempestade. Portanto, da mesma maneira, se planta um minuto de silêncio, você está plantando uma intenção, está plantando um olhar em direção a quem você verdadeiramente é. E possivelmente, você irá colher o fruto dessa intenção.

Na verdade, todos nós recebemos a atenção de graça e também damos essa atenção de graça, selvagemente. A minha intenção, no entanto, é recompor esse quadro para que você possa perceber que colocar a sua atenção selvagemente em determinados lugares, pode resultar em tempestades.

Se a sua intenção é colher Paz, que  eu suponho que seja, então, colocar atenção no lugar certo é fundamental. Se não olharmos para o lugar certo, permanecemos perdidos. E eu não estou falando de “certo” no sentido católico/cristão. Estou falando do lugar exato.

Para que possa olhar para dentro, é fundamental que se dê conta, para começo de conversa, de onde o “dentro” fica. Senão você vai estar brincando de cabra-cega. Você vai estar perdido: uma hora mexe aqui, outra hora mexe ali, outra hora mexe acolá, e nada, de verdade, dá naquilo que você está buscando.

Uns amadurecem mais rápido, outros mais lentamente, mas, eventualmente, você tem que se dar conta de que onde é plantada a sua semente de atenção, virá a ser colhida a sua intenção. Portanto, exemplificando, no momento em que a sua atenção requer um controle, um esforço, este já é um sinal de que você está colocando atenção no lugar errado.
Porque o lugar certo, dentro, é como um ímã, é magnético.  No momento em que você coloca atenção no lugar certo, você é sugado, você desaparece como sendo este ‘você’ conhecido e aparece como sendo um outro Você.

Em outras palavras, permitam-me que eu repita uma frase que eu gosto muito: “Você não é quem você pensa que é”. Não importa o que você pense a respeito de si, talvez seja a última moda o que você está pensando que é você, mas você não é isso. E, ainda que você pense que é Consciência, você não está realizado enquanto Consciência, você só está pensando que é Consciência. Em outras palavras: o acesso tem que ser direto.

Quando a atenção é colocada no lugar certo, no lugar exato, o esforço desaparece. Existe um relaxamento e você se liberta. Você se liberta, inclusive, para esforçar-se em direção a algo. Você é livre também para fazer esforço, mas, sabendo que o seu esforço não tem nenhuma função, é só por esporte. “Sou paulista e gosto de me esforçar” - mas é apenas um esporte, não tem nada a ver com a Verdade, não tem nada a ver com quem você é. É apenas uma das formas de arte. Esforce-se tremendamente, mas perceba que, no fundo, você reconhece que é livre em qualquer direção.

Se a sua atenção for posta corretamente no lugar exato, você se liberta até para ficar tenso, triste, ou o que quer que seja. Você pode até sonhar que está preso.
Outro dia eu li uma pequena frase de um amigo onde diz: “Estou preso com a cabeça no teto do infinito”. É uma boa imagem. Ou é poesia ou é uma clara visão, uma visão direta, uma experiência direta de quem ele é de verdade -  que lhe deu esse direito de dizer que ele está preso com a cabeça no teto do infinito. Porque se olhar corretamente, você vai se dar conta de que está  livre, de que é livre, e, por último, de que você é liberdade. E, nesse sentido, tudo aquilo que era construído, condicionado, convivido até hoje como sendo ‘você’, começa a desaparecer, começa a se desintegrar.

Nesse ponto, nada precisa ser feito. Pelo contrário, agora a sua atenção vai para o lugar exato e aquilo que era alimentado erroneamente pelo mau direcionamento da sua atenção, não é mais alimentado.

segunda-feira, novembro 8

o desconhecido é estranho à mente















A sua mãe disse: “Não converse com estranhos”.
E o Ser é estranho à mente.
Logo, por você se identificar com a mente,
o Ser aparece como estranho.
E como é da natureza do Ser permanecer eternamente no desconhecido
e "inconhecível", a estranheza permanece intacta.

A crença de “não conversar com estranhos” tem um poder.
E, nesse momento, ela quer dizer: “Não veja quem você é, não volte para casa”.
Porque existe uma estranheza.
Você vai se estranhar, diante do desconhecido.
Mas a verdade é que você nunca se conhecerá,
porque conhecer implica em determinar, medir, em ter um objeto,
em ter uma relação sujeito-objeto.
E o Ser é pura subjetividade, nunca vai se tornar um objeto.

Dê-se conta de que o visto não é quem vê e quem vê nunca vai ser visto.
O software deve ser inteligentemente removido.
Ou melhor, colocado no lugar dele.
Ele tem uma função prática em relação aos objetos percebidos pelos sentidos,
mas não a respeito da sua natureza mais íntima, que é o Ser.
Ele não tem absolutamente nada a ver com isso.
Nesse aspecto, ele pode ser descartado, pode ser colocado de lado.
A sua cabeça, simbolicamente, perde o valor
o seu coração passa a ter mais valor.
Mas, aqui, permita-me discriminar algo:
não estou falando do coração-sentimento, estou falando do coração-cerne,
do coração-ser, do âmago, do mais profundo.
E o mais profundo não fica no topo.

Na linguagem dos "seres humanos",
não estar no topo é estar embaixo.
E na linguagem mística, não estar no topo é estar no centro,
é estar dentro.
Então, olhar para dentro começa a subverter ou reverter
a ordem do seu subconsciente.

Perder a cabeça é tomar consciência de que a cabeça, a racionalidade,
não rege e nunca regeu nada.
Só parece que sim.
Mas você já observou um iceberg?
Tem uma mínima parte aparente, no topo, acima da água.
E até parece que ali se encontra o timão, no sentido de direcionamento.
Mas se você mergulha e olha lá embaixo, vê que 90% do iceberg está submerso
e, em realidade, aquilo que está submerso é que dirige,
porque é aquilo que está submerso
que está mais intrinsecamente ligado ao movimento das águas.

Essa metáfora aqui se aplica perfeitamente:
o que aparece não é, e o que é não aparece!
Agora, decida: quem é você?
Você é aquilo que aparece aos sentidos
ou aquilo que não aparece aos sentidos,
mas onde os sentidos aparecem?
A Consciência não aparece,

são os sentidos que aparecem na Consciência.

domingo, novembro 7

Acordar é a revelação de que não tem você















Quando se dá conta de que o “ver” é impessoal,
você começa a perceber que o que acontece com o corpo,
na vida, no dia-a-dia,
é realmente uma expressão daquilo que você é.

A partir daí, se torna muito mais importante esse “ver”,
do que, necessariamente qualquer “fazer”.
O que quer que seja que você faça,
é decorrência de uma série de circunstâncias,
e nunca sabemos, de ante-mão, o que são.

No entanto “ver” é absoluto.
Diante do absoluto, procuramos a entidade "eu"
que pensamos ser e não encontramos nada.
No lugar da entidade há algo totalmente pacífico,
silencioso e impessoal - e Isso é você.

Acordar é ver.
Praticamente nada precisa acontecer.
Porque acordar não é algo que acontece para alguém.
Acordar é a revelação de que não tem ninguém.
Logo, não acontece para alguém. Acontece para ninguém.
E, na verdade, não acontece. Não é um acontecimento.

Normalmente as pessoas, e talvez você também,
procuram por um acontecimento.
É habitual.
Nós estamos completamente acostumados a acontecimentos,
o tempo todo precisamos de registros.
Registramos o nosso nascimento, a Primeira Comunhão,
a entrada na escola, a saída da escola, o noivado,
o casamento, a separação... tudo precisa ser registrado.
Porque se não houver registro, fica óbvio que a entidade falsa não existe.
Inclusive, ela só existe porque tem registro,
porque tem uma história para contar.

Já o que eu quero chamar a sua atenção para,
é algo que não precisa de registro para ser,
e tão pouco se importa com os registros.
Na verdade, as coisas acontecem nisso que você é.
Elas não acontecem para justificar o que você é.
As coisas acontecem e desacontecem nisso,
e isso não acontece.
Isso não desacontece, tampouco.

Do que estamos falando?
Não é do seu corpo, porque o seu corpo está acontecendo nisso.
Não é da sua mente, porque a sua mente está acontecendo nisso.
Não é a respeito dos seus sentimentos e sensações,
porque ambos estão acontecendo nisso.
Tudo, absolutamente tudo o que acontece, acontece nisso.
E isso não acontece em lugar nenhum.
Você é um não-acontecimento.

sexta-feira, novembro 5

o aprendido e o essencial

















"Silêncio" é um nome que indica sem definir.
Nada é definido quando digo "silêncio".
O nome é apenas indicativo.
A verdade é que nem o barulho interfere.
Aquilo que não pode ser definido está sendo indicado.
Essa é uma tentativa de indicação,
mas quem você é, não pode ser definido.

Aquilo é você, mas você não é Aquilo.
Tem um você que é definido e um você que é indefinível.
Osho diz: “Existem dois homens comigo, o aprendido e o essencial.
Aquele que eu sou antes de qualquer coisa e aquele que eu sou depois de todas as coisas”.
O essencial é aquele que observa, é aquele que está no centro de tudo. 
Aquele que foi aprendido está na periferia - são os comportamentos, o corpo, a mente...
Se você chegou até aqui com aquele da periferia é por que ele fez um bom trabalho,
agora olhe para o essencial, olhe para o centro e descubra que entre o centro e o periférico existem infinitas milhas de distância.
O que acontece com um, nunca acontece ao outro,
Na verdade, nada acontece para Aquilo que você é.

Isso é dar-se conta do essencial, isso é voltar para casa.
Nisso não existe causa e nada se move.
Não estamos falando do silêncio-objeto, Satsang aponta para o silêncio-não-coisa,
para a consciência-não-coisa.
Não estamos falando da consciência-objeto, passível de entendimento.
A Consciência não pode ser entendida,
você só pode sê-la e agora, nesse instante, você já é.
Nada precisa ser adicionado, nada precisa ser removido.
Trata-se apenas de um entendimento.
Viver Isso em sua mais completa extensão, deve ser o seu trabalho.
É necessário o reconhecimento e que ele se estabeleça.

quinta-feira, novembro 4

atenção é a-tensão

















Em Satsang, o quadro que indica que você passou do entendimento à experiência de sié onde você nota que há quietude decorrente da simples presença. 
Você ouve o que está sendo dito, olha para onde está sendo apontado e disso decorre um aquietamento. 
Você começa a notar que a atenção é silenciosa e sem conteúdo,
e a sua mente não está dizendo nada. 
O notar não é um dizer, é um simples notar. 
Sem dizer nada, você nota que a mente não está dizendo nada. 

Se nota que a mente está melhorando o que está sendo dito,
você ainda está dividindo. 
Aquiete-se, ouça e veja onde esse apontamento o leva.

Minha proposta é simples: tudo que está sendo dito,
não tem o propósito de levá-lo a lugar nenhum, senão aqui e agora
Eu estou aqui simplesmente tentando convidá-lo a desapegar-se
dessa obsessão em ir para o passado e para o futuro. 

Note que nem no futuro nem no passado isso que é chamado de "Consciência" existe. 
No tempo existem pensamentos, ideias, imagens e imaginação. 
Aqui e agora: só Consciência. 
Pode parecer contraditório, mas é simplesmente porque a linguagem não consegue dizer tudo.
Temos que ir por partes...
Mas, se você começa a notar que não há mais interesse na sua própria história -
nem pregressa, nem futura -, que o seu interesse está pousado na presença
aconchegante, quieta e silenciosa, você está comungando Satsang. 

A partir daí, existe expansão.
Você não tem mais o mesmo tamanho.
Essa é a textura do aqui e agora

Aqui e agora existe algo inerente, que se torna transparente.
É verdadeiro e pacífico. É Consciência. 
Se você deixa isso penetrar além dos seus poros,
a história a respeito de si e do mundo fica completamente sem importância. 

É aqui onde entra o relaxamento,
porque o que nos deixa tensos são as histórias -
é o que passou e o que virá. 
Sem histórias, você se torna um bebê, uma criança:
sem passado, sem futuro e sem preocupação. 
Nesse momento o seu sistema se organiza e toda a energia vital fica disponível ao seu organismo.
Não vai mais para a mente. 
Cresce o campo de possibilidades, porque as tensões são removidas. 
Tensões são pensamentos se debatendo dentro de uma caixa. 
Se você se aquieta - e quietude é você -,
o seu corpo faz o que tem que fazer e você não se mete. 

O que estou dizendo pode ser experimentado por você.
Ouça e verifique.
Visite o buda que você é, o máximo que puder.
Visite a Consciência o máximo que puder, 
até que não haja mais a imaginária distinção entre você e a Consciência.

segunda-feira, novembro 1

entre a tensão e a dissipação, agora.
















Suspenda o que pensa, suspenda aquilo que os outros pensam
e olhe carinhosamente para dentro, para aquilo que É aqui e agora.

Não espere nada desse olhar para dentro,
não ponha nenhuma meta... simplesmente olhe para dentro.
E talvez você comece a se dar conta que o timão que está nas suas mãos está solto,
não está ligado ao sistema de controle do barco.

Quando nota que o timão não está ligado,
você pode se deleitar em fazer movimentos bruscos e inesperados,
para ver se o barco muda de rumo;
ou pode tirar completamente as mãos do timão para que,
de uma vez por todas, suas mãos possam ser usadas para outros fins.

Na verdade, preciso dizer isso muito cuidadosamente,
porque qualquer outra coisa em que você ponha suas mãos,
pode vir a ser um novo timão.

Portanto, descanse. Deixe de ser você por uns dias.
Nada precisa acontecer. E é em dar-se conta disso
que, talvez, torne-se mais claro o quão independente de você
é o movimento das coisas.

Renuncie à indulgência de seguir os sentidos como mestre.
Tire as mãos do timão.
Em certas disciplinas, existe um esforço para negar a experiência sensorial.
Em outros sistemas, existe a glorificação dos sentidos;
como se eles pudessem satisfazer o supremo desejo.
Eu proponho que você nem siga, nem renegue.
Ambos os caminhos, são caminhos sem fim.
Ou melhor: são becos sem saída!
Nem siga, nem negue - esse é o segredo.
Você já tentou esses caminhos: negou e entrou na indulgência dos sentidos.
Ambos, a tensão de negar os impulsos sensorias
e a dissipação de seguir esses impulsos,
causam desnecessários sofrimentos.
O desafio é estar quieto, sem reprimir, nem seguir.

sábado, outubro 30

além das possibilidades, aquilo.



Eu não estou propondo um caminho.
Eu estou propondo que você reconheça por si mesmo
quem é a boa companhia, quem é a Verdade.

Existe apenas um obstáculo.
E para você ver quem é a boa companhia,
para você ver o que é a Verdade, você precisa estar desperto
para o fato de que você é o único obstáculo.
Você quem? Esse você que se pensa.

É preciso dar-se conta de que esse “você” é apenas
uma construção mental, uma entidade dentro
de infinitas possibilidades. E, sejamos francos,
você escolheu esta possibilidade um tanto quanto defeituosa,
enquanto existem milhares de outras possibilidades
dentro deste momento. No entanto, aqui,
não está em pauta escolher nenhuma possibilidade.
Está em pauta permanecer exatamente avesso
a todas as possibilidades. Permanecer, então,
silencioso – para ver que nenhuma possibilidade, de verdade,
é a Verdade; que nenhuma possibilidade, de verdade, é a boa companhia.
A “boa companhia” é exatamente onde as possibilidades ocorrem.
Este corpo-mente sentado aí e este corpo-mente sentado aqui
são possibilidades ocorrendo em boa companhia.
Ao desprender-se da idéia de que “o experienciado”
seja você, lhe é revelada a verdadeira boa companhia.
E nesta revelação existe a dissolução do percebido.
O percebido, de um ponto de vista quântico, relativiza-se –
ele não é tão importante assim.
E eu insisto: quando “o percebido” não for mais tão importante,
outras possibilidades penetrarão no seu campo de percepção.
E neste sentido, você não mais estará sendo guiado
pelo colapso da possibilidade engendrado pela sua mãe,
mas, sim, por uma nova nascença.

quinta-feira, outubro 28

a vida sem filtros, os olhos.



















Atualmente há uma abertura que nos oferece
uma nova modalidade de Conhecimento.
Essa nova modalidade de Conhecimento
reestrutura o modo como vivemos as nossas vidas.
De onde nós viemos existe uma estrutura que nos diz como a vida é,
mas a atual abertura subverte completamente este como a vida é.
A forma de nos comportarmos está embasada numa relação direta
de como nos concebemos. E o que você concebe como sendo você?
Se você observar que a concepção na qual você tem acreditado
está fadada ao fracasso ou que ela é errônea, equivocada,
naturalmente há um deslocamento, que eu chamei antes de abertura
para uma nova modalidade de Conhecimento.
Você se desloca do que foi aprendido, concebido,
e começa a pulsar na vida de uma forma diferente, independente do seu querer.
Na verdade, essa nova modalidade de Conhecimento remove o seu querer
como fundamento de alguma coisa.
Você não tece mais suas metas em cima do que você quer ou deixa de querer.
Você nota que o que você quer (ou deixa de querer) não tem nenhum fundamento
diante dessa nova plataforma. Essa é uma experiência direta.
É como tirar lentes ou um filtro dos seus olhos.
Como você se concebe depende absolutamente desse filtro.
E dada à concepção que você tenha a respeito de si mesmo,
você concebe tudo aquilo que você vê.
Conceber-se como uma entidade independente, isolada,
separada do Todo, reflete diretamente em sua relação com os objetos,
com os outros, com a vida.
A partir do momento em que essa concepção (do 'eu' separado)
não diz mais respeito a como você se percebe, a sua relação com os outros,
com os objetos, com a vida, torna-se distinta.

terça-feira, outubro 26

a fragrância do vaso vazio
















Há um ponto em que cabe avaliarmos onde gostaríamos de estar.
A resposta a essa questão está fadada a ser sequencial à concepção que temos a      respeito de quem somos.
A concepção de si mesmo o remete a esse outro lugar onde gostaria de estar.
No fundo, tudo passa por uma palavra-chave: "aceitação".
Se for capaz de aceitar absolutamente tudo, do jeito que é, você está em casa.
Você só não está em casa, por considerar que esteja faltando alguma coisa.
O que está faltando?
Quando se der conta de que o que não o deixa ficar em paz são os "poréns",
você se muda para um outro lugar.

Há uma nova modalidade de conhecimento que nos concebe como sendo nada do que pensávamos.
A sua concepção de si mesmo está totalmente em xeque.
Há uma citação que cabe perfeitamente em nosso contexto: "Um vaso é utilitário pelo vazio que contém”.
Se você olha para si como uma entidade, atrapalha o fluxo do Universo.
Se vê a si mesmo como vazio, você se torna um instrumento do Universo.
Você pergunta o que o Universo quer de você?
Isso é um mistério.
Agora, como entrar em sintonia com o mistério, é simples:
veja o que você está querendo e tire isso da sua frente.
Até o instante em que você diga:
“Não quero nada. O que acontecer está bom para mim".

Talvez isso pareça delicado ou perigoso,
porque entra em conflito com a noção que você tem de si mesmo.
Mas vamos olhar da seguinte forma:
existe uma ideia a respeito de quem você é,
que foi emprestada pelos seus pais, e aos seus pais pelos pais deles,
e aos pais de seus pais pelos pais deles... ad infinitum.
Porém, hoje há uma nova possibilidade, que eu chamei antes de "um novo conhecimento".
É uma nova modalidade onde você entra em contato direto com o reconhecimento de quem você é verdadeiramente, sem relação nenhuma com o passado.
Quem você é, não tem nada a ver com o passado.
E o mais novo é que você não precisa removê-lo.
Ele continua no mesmo lugar de sempre, apenas não mais há a sua identificação como sendo o passado.

Eu falei que era perigoso e vou rearticular: o que eu tenho para revelar e convidá-los a ver, é perigoso.
Mas é perigoso somente porque diz um profundo "Yes!" para você,
de uma forma tão grandiosa, tão total, que você não precisaria fazer absolutamente mais nada, a não ser amar a si mesmo exatamente do jeito que você é.
É uma proposta um tanto diferente, porque todos estão tentando mudá-lo.
Você está sempre tentando se tornar uma outra coisa, ditada pelas suas ideias e pelas ideias dos outros.
Há sempre um ideal em pauta.
Imagine o que uma rosa pode fazer a respeito do perfume que ela exala...
Pare! Veja!
Descubra qual é o perfume que a Vida quer que você exale.

segunda-feira, outubro 25

silencio é morte da pergunta
















Num ato de teimosia, trago à baila mais uma vez:
você é o Silêncio!
E o Silêncio é a morte de quem você pensa que é.
Mais simples, impossível.
Se você tem acesso, celebre.
Se não tem acesso, continue buscando.
Levante pedra;
moa pedra;
coma pedra...
e eventualmente ocorrerá a rendição.
Estou dizendo ‘ocorrerá’, erroneamente,
porque nada há de acontecer.
Se não lhe couber acordar para o Segredo,
você permanecerá buscando e tentando respostas às suas perguntas.

Silêncio é morte.
Morte do quê?
Estamos falando da morte daquele que, constantemente, quer uma resposta.
Isso me lembra uma história Zen onde um monge diz ao seu mestre:
“Mestre, você poderia me dizer o que é iluminação?”
Ao que o mestre responde: "Sim, poderia. Mas você pode compreender?"

A questão é simples:
você acessa à resposta essencial?
Se houver a coragem de colocar de lado tudo em que você acredita,
o acesso ao Silêncio é imediato.
Sim, Silêncio é morte.
E revela para a mente um vazio - aparentemente - indesejável,
é como um buraco negro onde tudo some.
A mente, então, fica na porta, insistentemente,
porque se ela se descuida, desaparece.
Não é realmente curioso, como algo tão simples, de tão bom gosto
e tão desejável, seja tremendamente perigoso para a mente?

Você não encontra a Verdade, porque ela não está perdida.
É simples assim.
Dê esse salto!
A Verdade não pode ser encontrada, porque ela não está perdida.
Se ela estivesse perdida, alguém já a teria encontrado.
Entenda: isso quer dizer que Ela está aqui e agora.

sábado, outubro 23

o iludido chora a morte da ilusão


















Não importam as alegorias.
Se você tem uma alegoria, qualquer que seja,
investigue e veja: alegorias também são castelos de areia.
Para que possa morrer,
você, necessariamente, tem que ser aquilo que morre,
aquilo que aparece, que tem aparecência, que tem aparência...
que é uma aparição.
Tudo aquilo que podemos tocar, medir ou pesar está fadado à morte,
por ter nascido um dia.
Porém, quem é que vê tudo que aparece?
O Ser pode ser visto, medido, pesado ou comprimido em algum espaço?
Não, ele não pode.
Portanto, como matá-lo?
Ele não nasceu.
Ele não nasce e não morre - e essa é a sua verdade.
Ou você casa com ela de uma vez por todas,
ou continua sonhando com os seus castelos de areia.

Você se ilude com o castelo de areia,
mas o castelo é de areia e mais cedo ou mais tarde -
talvez muito mais cedo do que você deseje -,
uma onda vem e o remove da existência.
Permanecer na experiência sem fazer vista-grossa para
quem você é, é saber que tudo que está acontecendo está fadado a desacontecer.

Em verdade, você não pode morrer, é o corpo que morre, que desacontece.
Mas note: estamos diante de uma facticidade.
Não tem como fugir disso. Muito antes pelo contrário...
Não se iluda com a ideia de que haja uma saída.
Aliás, a saída mais digna é a morte da ilusão.
Somente o iludido chora a morte da ilusão.
Saber disso é motivo de celebração.