quinta-feira, julho 14

a árvore da paz e o intermediário triste


















Eu me deparei com uma citação do Osho muito interessante que dizia assim, mais ou menos: Meditação é quando não existe um intermediário entre você e a realidade. E Ele a carimba com aquela arte dizendo: o intermediário entre você e a realidade é a mente. É sempre desnecessário dizer, mas para você ouvir e ressoar na mesma freqüência do Silêncio você precisa ficar em silêncio.

Por incrível que pareça, por mais que a árvore tenha sido queimada e detonada, se você sentar silenciosamente perto dela e absorver a mensagem que ela te dá, não vai ser outra coisa a não ser paz. Você pode projetar tristeza na árvore, mas ela do centro dela não vai manifestar isso. A vida nunca é triste. A mente, o intermediário é sempre triste. Quando eu removo o intermediário, eu removo a descrição do que quer que seja. 

Olha que incrível, no mundo do intermediário, a interlocução é sempre da busca da descrição perfeita. Como é que você está? Como é que está a sua vida? Você não está parecendo muito bem, você não está legal? O tempo todo você é bombardeado. E você se importa. 

A remoção do intermediário é criar a possibilidade latente de ficar quieto, ser quietude, agora. 
O galo canta, o vento venta e eu repouso. 
Eu sinto a vibração do corpo inteiro tranqüilo. 
De repente, me dou conta, estou em paz. 
Eu estou em casa.
A árvore.
A paz.  

quarta-feira, julho 13

amanhã acontece ontem




















Quando você chega nas bordas da atemporalidade se depara com a nítida insegurança, preocupação ou até mesmo medo, eu diria. Hoje eu gostaria que você investigasse de onde vem esse temor pela possível entrada no atemporal.

No senso comum nós diríamos "eu estou com medo". Mas, se houver uma breve investigação você tira o pronome "eu" da jogada, e o substitui pelo verdadeiro "medroso" da história. Questione: quem teme a atemporalidade e por quê?

O seu corpo não vive no tempo, o corpo vive no espaço, quem vive no tempo é a mente. Então quem teme essa possível penetração no atemporal é a mente, porque ela precisa do tempo para existir. A mente não entra no atemporal, você não entra no atemporal, no atemporal você e a mente desaparecem. Ninguém entra no atemporal, nada entra no atemporal. O atemporal é um ambiente onde não existe absolutamente nada, é um não-ambiente onde mais cedo ou mais tarde você vai desaparecer. E, na verdade, o seu desaparecimento só é evitado pelo tempo – você insiste em prorrogar para amanhã aquilo que já aconteceu ontem.

Na tentativa de evitar qualquer mal entendido, por favor, comprometa-se em olhar para o que está sendo apontado como uma pedra de toque. Porque, na verdade, o que estou compartilhando está além de qualquer entendimento ou descrição. Estamos aqui apenas tentando saltar para um outro lugar, ou melhor, para um não-lugar, onde nem o tempo e tampouco o medo existem.

terça-feira, julho 12

de braços abertos, as flores e os frutos





















O único propósito é que você acorde, que você se dê conta da Verdade. Este despertar pode ser destrutivo, de um certo ponto de vista, porque existem muitos sonhos que não podem permanecer intactos, se você se expõe ao Silêncio. Por outro lado, se você ficar se protegendo, selecionando e interpretando o que ouve, não tem como chegar ao mesmo ponto. No entanto, se você alinha com a proposta de Satsang, inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, quando você menos esperar, “você” já era.

Se eu fosse mais sério, estaria falando de “entrega”, de “rendição”... Mas prefiro propor que você venha de braços abertos. Abra os braços e deixe o Silêncio penetrar em você. Veja que o que estou o convidando a ver já é seu. O meu convite é nada mais nada menos do que aceitação. Mesmo que você esteja completamente negativo em relação ao mundo, aceite isso. Celebre e pratique a aceitação. Veja que não há problema e você corre um grande risco de entender o que estou dizendo e sorrir de tudo.

Se você é miserável, saiba que você é perfeitamente miserável, do jeito que tem de ser, do jeito que Deus quer que você seja. Você é perfeitamente isso ou aquilo, do jeito que Deus quer que seja. Acorde!

O que todas as pessoas querem, não importa o que digam, é a Paz que o Ser contém. É óbvio que isso que estamos contemplando em Satsang é conflitante com o que o mundo nos apresenta – ligue a TV e veja. As pessoas não se dão conta que defendem e protegem uma paz artificial. Ouse questionar isso e veja um grande potencial que se abre. Seja corajoso o suficiente para colocar de lado o que pensa e assumir, elegantemente, essa nova visão.

Se o que estou dizendo ressoa como verdade no seu coração, isso significa que essa verdade é sua, ela não é minha. Isso significa que a “transmissão” aconteceu – você reconhece aquilo que já é seu. Juntos, essa percepção se torna mais forte. Permaneça próximo e espere, é quase como aguardar o cozimento de uma comida. Ou, ainda, é como pegar uma semente e pôr na terra. Você não pode querer que ela dê frutos no dia seguinte, é preciso esperar. Espere pacientemente pelo seu florescimento. E, depois do florescimento, os frutos.

segunda-feira, julho 11

fora do círculo

















Participante – Satyaprem, geralmente, na sociedade, temos que abrir mão de algo para conseguir algo melhor em troca. Mas parece que a proposta da meditação é abrir mão de tudo, da mente, para, em troca, deixar de existir como um “eu”. É preciso realmente estar muito cansado da rotina deste mundo para fazer tal troca?
  

Também abrimos mão de algo melhor por algo pior, não há regra. A mente insiste em enquadrar tudo, em montar um sistema, e você não se dá conta de estar girando em círculos, assim como seus pais e todos que você conhece. Quando não é uma coisa, é outra. E o círculo permanece.

Sim, você deve abrir mão de tudo. Mas tudo o quê? Este tudo tem a ver com o mundo da mente, trata-se de tudo o que a mente chama de “tudo”, até porque além do que a mente chama de “tudo”, não tem nada.

Isso me faz lembrar aquela história do Alexandre – o grande –, que antes de morrer pediu que, no seu enterro, todos os melhores médicos da corte carregassem seu caixão, que todas as suas riquezas fossem postas na rua, e que suas mãos estivessem estendidas para fora do caixão... Ao ser questionado o motivo desses desejos, ele afirmou que os médicos deveriam carregar seu caixão, para que todos vissem que eles não têm o menor poder de manipular a vida, pois neste momento crucial, que chamamos de “morte”, ninguém pode fazer nada. Quanto à sua riqueza, o motivo de distribuí-la nas ruas era para que o povo passasse por cima e soubesse que tudo o que ele acumulou, não seguirá com ele. E as suas mãos para fora do caixão estariam mostrando que assim como ele veio, ele estava indo embora, com as mãos vazias.

Por isso minha insistência em fazê-lo perceber que as conquistas são aparentes. Até mesmo um diamante, por mais tempo que ele possa existir, há o risco de um dia, uma criança pegar aquilo, sem saber o que é, e destruí-lo de alguma maneira. Todas as coisas são dilapidadas pelo tempo e correr atrás de algo que evite o consumo do tempo sobre as coisas é ignorância absoluta.

Faz parte da natureza das coisas terem um início e um fim. Dar-se conta disso permite um grande relaxamento. Perdendo essa disponibilidade em relação aos objetos e, claro, junto com eles em relação aos pensamentos também, existe uma grande possibilidade magnética de que você passe a buscar aquilo que o tempo não dilapida. E o mais curioso nessa equação, é que este é o seu bem mais precioso.
    

Sempre que entrar em contato com o dentro, você ilumina; a Verdade se torna clara e uma série de coisas se tornam irrelevantes. Olhando para dentro você nota que já é completo, em si. Dentro, nada precisa ser agregado a você. Por isso,stop! Salte para fora do círculo e veja quem é você!

sexta-feira, julho 8

desRESPEITO com o irREAL




















Perca as esperanças e descomprometa-se com a mentira. É legítimo não estar comprometido com o que não existe. Loucura é ter compromisso com o temporário, com o que não tem permanência. Observe e veja como é fácil equacionar isso. Não existe nada errado em desrespeitar o irreal e buscar a realidade com coerência e respeito total.

O que é a realidade? O que está no fundo de todas as coisas? O que anima tudo? Os seus pensamentos, emoções, a comida que come? Não. O que corresponde totalmente às suas expectativas? O que está sempre presente e nunca te abandona? Quem é você por trás de todas as camadas?

Você deve acabar com a complexidade. Fique com o simples. Falo da simplicidade anterior à decisão de você ser isso ou aquilo. Assista comigo a esse espetáculo. Vejamos juntos aquilo que está antes de qualquer definição.

No “Jardim das Delícias”, a obviedade deve ser considerada. Por exemplo, a rosa tem espinhos e a brincadeira propõe que você saiba colher a rosa. Não adianta modificá-la geneticamente para remover seus espinhos. Isso é tolice! Vai criar algum desacerto, pois sempre há um processo de equilíbrio. O negativo e o positivo têm que coexistir. A lâmpada está acesa porque existe um conflito entre duas energias do mesmo tamanho. Se uma ficar maior que a outra, a lâmpada some. Se você romper um dos fios, a luz se apaga. A proposta da mente é remover um dos lados da equação, mas isso não funciona.

Antes de qualquer coisa, Isso. Então, assuma essa clareza na sua vida com muita elegância. Milhões de coisas estão acontecendo e vão continuar à sua revelia. De onde veio uma experiência, outras virão. No entanto, quem é você?  É possível acessar esse você ao qual me refiro?

Abra os olhos! Quantas pessoas que você conhece podem se interessar por isso? Você não sabe nem por que está me ouvindo. Portanto, já que está, aproveite! Absorva o máximo que puder. Fico feliz se puder deixá-lo “infectado” ou, ao menos, com uma pulga atrás da orelha.

quinta-feira, julho 7

apagando a historia pessoal





















Participante – Satya, você já falou algumas vezes sobre o Castañeda, Don Juan, e eu gostaria de entender algo, porque quando eu li não entendi nada. Ele fala muito de cessar a história pessoal, de cessar o diálogo interno. Ele fala também dos obstáculos do guerreiro, que é a auto-piedade, o poder, a clareza, o medo e a velhice. Isso da velhice, por exemplo, é uma das coisas que eu não compreendo. Pode falar sobre isso?

Que idade você tem?

Participante – Não sei!

Pronto! Esse obstáculo já não existe mais! Você se dá conta do que são os obstáculos?

Participante – Uma criança não tem noção de tempo, não é?

Nem o Silêncio tem noção do tempo. Olhe para dentro, no que Satsang nos aponta e veja – estou aqui para investigar com você. Qual é a diferença entre o ontem e o amanhã? Inclusive os neurologistas descobriram que, para os neurônios, não existe diferença entre algo vivido e algo imaginado. Tanto que você pode se alegrar ou ficar muito triste, simplesmente vendo um filme na televisão. Aquilo não tem nada a ver com você, mas os seus neurônios não sabem disso. E mesmo que você dê essa notícia, não adianta! Eles não te ouvem. Você simplesmente sente.

Para o Silêncio, tudo maya, ilusão. Uma pessoa sofre porque ela tem uma história que ela considera absolutamente real. E a única maneira que você tem de ajudar essa pessoa é convidando-a a ver que aquilo não é real, que aquilo não é verdade, que aquilo é uma história. Se você conseguir que ela ponha a história temporariamente de lado, pronto, cessará o sofrimento. No entanto, a melhor maneira de fazer isso é colocando a sua primeiro.

Coloque todas as histórias de lado. Qualquer enfoque que remeta a um personagem no tempo, o faz renegar quem você é de verdade. Você viu o que aconteceu quando me perguntou pelos obstáculos, terminando com a velhice? Eu perguntei a sua (real) idade, você olhou para o lugar certo, sem pensar, e compreendeu algo com totalidade. Você vê? Não se trata de uma sequência lógica, é uma compreensão que não permite sequer um caminho que possa ser traçado, pois acontece exatamente aqui, exatamente agora.

quarta-feira, julho 6

no fogo: a leveza do ser

























A mente elabora tornar-se um santo ser o mais próximo da iluminação. Ela propõe que você não faça nada errado, nem pense “coisas feias” – e é exatamente essa lógica que gera a impossibilidade. Você só não alcança o real a esse respeito, porque está imaginando. Desse jeito, você tem renegado a si mesmo, consistentemente, com a esperança de que um dia possa descobrir algo que venha a remover todos os seus erros.

Por que você não experimenta sentar-se sem fazer nada exatamente agora? Não tem nada a ver com o que vai acontecer amanhã, não tem nada a ver com o que aconteceu ontem, não tem nada a ver com que idade o seu corpo tem, não tem nada a ver com o conteúdo da sua mente, não tem nada a ver com a sua memória emocional... Cancele tudo isso e tenha uma breve prova da leveza do Ser.

Este convite é incompreensível para a mente, essa é uma festa para a qual ela não foi convidada. Ela fica na porta e, obviamente, se rebela. Ela não gosta da ideia de não poder entrar nesta festa. Mas o problema é que nesta festa não existe mente... Não é que ela seja excluída, é que neste ambiente, nesta festa, a mente é inexistente.

Mas você insiste, querendo saber se encontrará a felicidade, caso compreenda isso. E eu, da minha maneira, insisto em revelar que você não vai ser feliz, porque isso não pode ser compreendido e porque felicidade não está em pauta – sinto muito! Até gostaria de gerar um discurso amigável em defesa da sua felicidade, mas não tem como. Aquilo que Satsang está propondo não tem como ser contido – é absolutamente novo e instantâneo, vive no instante.

Em Satsang, nada precisa ser feito, essa é uma permissão para simplesmente ser, e a mente não pode fazer absolutamente nada para o seu despertar. Despertar é justamente ver que você não é quem a mente diz que você é. O que pode a mente fazer a respeito de quem você é, posto que ela minta, a priori, sobre a sua verdadeira natureza?

Mais uma vez, eu insisto: quem é você, agora? Não prorrogue! Não venha com histórias de ontem, porque eu não estou aqui para ouví-las. Proponho um diálogo possível entre eu e você. É um diálogo arriscado e eu prometo ser cruel, pois não há tolerância alguma para com aquilo que é mentira. Sejamos francos! Afinal, você está atrás de um mestre ou de si mesmo? Você quer um mestre ou você quer a si mesmo?

Eu não proponho nenhum ritual, nenhuma nova religião. Não proponho absolutamente nada. Apenas se encante e desperte para a possibilidade de questionar verdadeiramente, sem mais delongas, quem você é. Se você se aproxima da intensidade desta pergunta, do fogo que esta pergunta engendra, você rompe com o tempo e cai no agora; e esse é o único propósito de estarmos aqui.

terça-feira, julho 5

o céu é seu, seu é o céu

























Satsang não propõe uma nova escolha, é a mente que interpreta e imagina que eu esteja propondo uma nova série de crenças. Isso ocorre porque ela, a mente, não compreende o que é viver no agora. Aliás, no agora a mente não existe.

A minha proposta é radical, eu não estou propondo uma nova forma de viver e não tenho nenhum princípio para te dar. Não perca tempo em absorver novos princípios, isso é inviável – você não consegue manter os seus princípios intactos. E é aí que entra a minha proposta: se dê conta de que aquilo que você acredita não é final.

Aquilo em que você acredita tem uma aplicação. Diante de um semáforo na Avenida Brasil, numa hora de grande tráfego, é uma boa ideia acreditar que é preciso esperar que o sinal fique verde. Mas existe relatividade... Na mesma avenida às 5 horas da manhã, sem nenhum carro passando, parar ao sinal vermelho não tem sentido.

O que quero dizer é que os princípios devem ser investigados. E, salvo sua aplicação exata, viver de acordo com suas crenças o aprisiona. A pergunta “Quem é você?” entra, portanto, como uma navalha e promove um corte com a mente – que sempre mente.

Ao voltar-se para dentro de si mesmo, você começa a descaracterizar o conteúdo da sua memória e passa a sentir no presente uma presença que está completamente destituída de qualquer valor anterior. Para essa presença o que importa é o agora.

Nesse momento sua mente pode estar sugerindo que, sem acesso às crenças e memórias, nós viveremos um caos. Mas você há de convir que pior do que está não pode ficar. Caos é o que a mente propõe e é ela que está pautada em memórias e crenças. 

Aqui, a possibilidade apontada é completamente outra. No mundo em que vivemos estão todos enquadrados e ninguém cruza estes quadrantes com facilidade, há uma série de limites. Você sai por um centímetro, mas logo volta para o seu quadrante. No entanto, se compreende o que estou dizendo, os quadrantes são cancelados e o céu é completamente seu – essa é a diferença fundamental que Satsang nos aponta.

segunda-feira, julho 4

um convite brando para uma noite fria


















Essa história é clássica e irá reforçar o que quero dizer hoje...

O mestre chega para o discípulo e propõe:

–        Aqui tem uma garrafa. Dentro da garrafa há um ganso. Quero que você tire o ganso da garrafa, sem quebrar a garrafa e sem matar o ganso.

Ao que o discípulo conclui:

–        O ganso está fora da garrafa.

A minha proposição parece absurda, mas quero que veja que você tem feito da sua imaginação, a realidade. E por mais refinado que venha a se tornar o seu campo imaginativo, você, na maioria das vezes, está apenas trocando os móveis de lugar, sem remover o equívoco fundamental.

No entanto, minha proposta é muito mais simples: se algo é imaginário, nada precisa ser feito, basta ver que é imaginário.

Satsang é o caminho direto de conhecimento de si – não tem curva, não tem método. Estamos aqui por uma simples questão: quem é você? Se pegar o caminho do imaginário – que é o caminho do pensar, que é caminho da memória –, você estará em maus lençóis, porque estará apenas trocando as coisas de lugar. Mas, ao se dar conta disso, você se muda para um outro universo.

O meu convite brando, para essa noite fria, é que comece a ver que você tem vivido uma vida inteira de imaginação. Você tem sido um fantasma de si mesmo e tem assombrado a sua própria casa. Você caminha pelos corredores, arrastando correntes de sofrimentos. Por isso insisto para que desperte! Acordar é se dar conta, inclusive, que você não está dentro da sua casa, é a casa que está dentro de você.

Partindo desse pressuposto, todas as condições da casa se tornam “aveludadas”, tranquilas. O tempo vai passando, as condições vão mudando, e quem você é, fica em observação, suspenso no eterno aqui e agora.

sexta-feira, julho 1

câmbio de valores

















Sabendo que sentir-se mal é meramente uma passagem de um estado corporal, por assim dizer, nota-se que não é possível identificar tal ocorrência como sendo você. Este e todos os outros acontecimentos são observáveis por você. O desconforto pode ser legítimo, mas você não precisa fazer nada com ele. Afinal, quem faria?

A sombra da identidade é poderosa. Você insiste em ser uma pessoa que deve buscar o melhor para si, viver os seus sonhos, chegar à uma realização... Mas tudo isso é uma dádiva do conhecido. A mente mantém essa plataforma intocada, até que você comece a olhar para o lugar certo. Olhando para o lugar certo, esta concepção é revista e se estabelece um vasto senso de liberdade.

A mente estabelece uma interpretação de tudo o que foi dito antes, enquanto que o Ser está vibrando com tudo aquilo que está acontecendo no momento presente. Quando você se desloca da mente para o Ser há uma mudança de valores. Agora os valores, que antes eram valorizados pela mente, não estão mais sendo valorizados – o que é valioso para a mente não tem nenhum valor para o Ser.

Entenda que você não está em amor com o corpo. O corpo, seja homem ou mulher, é um cadáver – essas são palavras, radicais, do Papaji – ouça bem. Saiba que aquilo que parece ser amor pelo outro, é amor pelo Ser, porque o outro não existe.

Corremos um grande risco em conversar a respeito disso, porque, quanto mais dentro dessa proposta que Satsang nos trás, mais desilusão será experienciada. Você está pronto? Eu funciono como um “desilusionista” e estou aqui para mostrá-lo que qualquer relação entre cadáveres está fadada ao pesadelo.