sexta-feira, outubro 22
Agora não é hoje
A mente sempre nos olha com condenação.
O Silêncio não condena.
O Silêncio aniquila 'você'.
Não fica 'você' em lugar nenhum.
'Você' desaparece.
E no lugar desse 'você' só tem Silêncio –
livre, observativo.
A mente condena e vive disso.
Já no Silêncio, nem mesmo o 'meditador' sobrevive.
No Silêncio não existem expectativas ou planos de futuro.
O Silêncio grita: “O Agora é suficiente!”
E isso altera tudo.
No momento em que começa a ter esse vislumbre,
você nota que não há nada que tenha relevância para Aquilo que você é.
Sosan disse: “Nem amanhã, nem ontem, nem hoje”.
"Hoje" ainda é uma descrição, baseada num referencial.
Agora não é hoje.
Agora é este momento onde não existe descrição possível –
permita-me chamar de momento, sabendo que não é um momento,
porque através da linguagem não tem outro jeito de dizer.
Mas, o Agora não é tempo.
No Agora não existe distinção entre isso ou aquilo.
O hoje ainda está acessível à mente.
O Agora não está.
No Agora não há mente, nem ego, nem você, nem nada.
Esse é o Silêncio.
E ver isso em totalidade, não é possível para a mente.
Embora às vezes a mente pergunte "como viver nesse Agora para sempre?”,
ainda assim é uma questão da mente.
O Silêncio sabe que nada precisa ser feito para viver o Agora,
porque é sempre Agora.
Mesmo enquanto você estiver caminhando no mundo da mente,
note concomitantemente o quanto o Silêncio não é afetado
pelas trapaças, pelas paranóias, pelas armadilhas que ela propõe.
O Silêncio não se importa com a mente.
A mente não cria nenhum problema para Ele.
Os obstáculos dizem respeito apenas à identificação de si mesmo
como sendo algo que você não é.
No momento em que você se desidentifica, nenhum problema mais existe.
quinta-feira, outubro 21
isto não é uma flor!
Em realidade, é raríssimo pessoas que sabem quem elas são;
as outras pensam que sabem.
A proposta é que você largue de mão o que você pensa.
Ver e pensar são duas coisas diferentes. Entre o ver e o pensar o tempo é tão exíguo que você não nota que está pensando que está vendo uma flor. Nós não estamos vendo uma flor!
Vai precisar muita atenção sua para verificar que o que você pensa é muito distinto daquilo que você vê. É crítico. É quase uma espécie de cegueira, você olha e imediatamente: flor, flor.... flor ....
Mas você não está vendo uma flor, você está pensando.
O intuito aqui é que você questione quem é você. Quem é você? Se preferir, o que é você?
Todo o seu sistema perceptivo está apontado para fora. Você pode fazer algo simples que é a investigação da mente, para que você se dê conta de algo que está além da mente.
E quando digo: que você se dê conta de algo que está além da mente, você precisa investigar se é o você que você pensa que é ou o verdadeiro você.
É o verdadeiro Você.
O verdadeiro VOCÊ pode Ver o que está além da mente. A sua mente não pode ver o que está além da mente, portanto muita coisa não vai fazer sentido lógico. E a nossa mente quer chegar a conclusões. Ela quer encaixar, ela quer encompassar o Ser. Ela quer ter o Ser. E o Ser é fugaz, nunca vai ser controlado pela mente.
É por isso que é tão raro que alguém Seja em total consciência. A maioria das pessoas estão no “estar” e não no SER. Elas tem a “si mesmas”, elas tem ideias de coisas, eles tem percepções, experiências; elas simplesmente tem.
Elas rezam a cartilha do acúmulo. Quanto mais experiência e conhecimento eu tiver, mais eu sou, porque ter é poder. Saber é poder. Eu nunca ouvi "Ser é poder", até porque são duas palavras incongruentes, Ser não quer poder nada; ele está resolvido, está em paz.
Aqui é para você encontrar este “lugar” que já está pacificado e é o seu lar. Apenas está obscuro pela mente, pelas condições, não é só cultural , é morfológico também. A forma humana vibra num lugar. A menos que você saia da forma humana, você vai continuar pulsando da mesma maneira.
Aquilo que você é transcende o humano.
quarta-feira, outubro 20
amante do Silencio
Como é possível deprimir-se, face à visão do Silêncio que você é?
Só é possível estar deprimido se os seus sonhos caíram por terra.
Mas, no contexto de Satsang, des-iludir-se significa, de uma certa forma, que você está indo no caminho certo.
Você pensa: "Agora, o que eu posso fazer com a minha vida, já que eu não sou quem eu pensava?"
Eu insisto: o que fazer com a vida, além de vivê-la intensamente?
Em observação, você há de notar que as coisas passam e você não passa.
E se tudo passa por você, mais precisamente é possível ver que até o seu corpo - aquilo que você vinha chamando de você - está em passagem, está de passagem. Portanto, como preocupar-se com aquilo que está passando e que, inevitavelmente, passará?
Se você for um poeta, como Mario Quintana, dirá: “Eles passarão e eu passarinho!” Essa é uma forma tão bonita de aludir àquilo que eu sou!
Os outros existem no tempo, eu não.
Onde pode haver confusão se você começa a notar a si mesmo como aquilo que observa?
Note! E quando eu digo notar a si mesmo, é um notar sabendo, é um notar sendo.
Não estou me referindo à observação de um objeto.
Estamos falando de uma observação direta:
eu sei que sou porque eu sei que sou, porque eu sei que sou, porque eu sei que sou, porque eu sei que sou, porque eu sei que sou...
O saber quem você é, não é um ambiente contaminado pela mente.
O saber quem você é, na verdade, é ser quem você é.
Significa que você atingiu diretamente o Ser que você é.
E o Ser institui um saber que não é via a mente.
Veja que você não é quem está sendo apontado para como sendo você. Isso institui um saber imediato. É um saber sem saber.
É um saber intuitivo, é um saber que vem diretamente da fonte - a fonte sabe.
Eu até gosto de brincar com a palavra "Consciência": com-ciência.
Já se deu conta do que significa Consciência? Com-sabedoria, com-saber.
A Consciência não precisa aprender, ela já é sábia.
Ela é a fonte de toda a sabedoria.
Buscando a si mesmo dentro deste que você pensa que é, o que encontra?
Buscando a si mesmo dentro deste que você pensa que é, o que encontra?
Não tem ninguém!
Agora, indo mais fundo, você encontra dentro de si um profundo Silêncio.
Chega um momento em que, por falta de potência, realizamos que realmente não somos quem pensávamos que éramos.
Você é o Silêncio. E render-se ao Silêncio como sendo você, é um ato de humildade.
Arrogância é dizer que você não é o Silêncio.
Tudo o que você vê no universo - cantando, voando, nascendo, morrendo, chorando, celebrando - o que quer que seja, é a Consciência.
Des-imaginando, sentado em Silêncio, aqui e agora,
o que você tem nas mãos?
É preciso ser um amante do Silêncio, um amante da meditação para atender ao chamado de Satsang.
terça-feira, outubro 19
belo e silencioso
Pensamentos estão ocorrendo, mas você não está pensando.
Sentimentos estão sendo sentidos, mas você não está sentindo.
E quando não tem ninguém sentindo ou pensando,
não existe nenhuma necessidade de mudar o que está sendo sentido ou pensado.
Logo, torna-se muito mais leve o que está sendo sentido e pensado.
O buda está a nascer.
No momento em que você se dá conta de quem você é,
tem um buda nascendo.
É belo e silencioso.
É totalmente transparente e independente de qualquer ideia.
Isso é o que você é.
Não pode ser dado nem tirado de você.
É tudo o que existe.
É a luz que faz com que tudo aconteça.
Silêncio.
Esse Silêncio é você.
Onde está a sua mente agora?
A sua mente é inexistente, é um fantasma.
A visão deve ser estabelecida.
Quando a visão está clara: não tem mente.
E uma nova vida se estabelece.
Há somente um fluir... um acontecer...
Não tem ninguém fazendo nada.
sexta-feira, outubro 15
silencio além da alegria e da tristeza
Venho reiterar o meu convite, que, na verdade, é muito simples.
O convite é uma mudança entre a entidade imaginada e o Silêncio inimaginável,
através do entendimento, através da visão.
Se o entendimento se aprofunda, se a visão é direta, a sua escolha ocorre sem nenhum esforço.
Em verdade, posto o entendimento, realizada a visão, você não tem escolha.
Desse modo, como diz Osho: "Como vocês conseguem ficar "não-iluminados" por tanto tempo,
enquanto a realidade do seu ser é silenciosa, é atenção?".
A visão é independente do que quer que seja. E somente "isso" é independente, só "isso" existe em si.
A nossa alegria é dependente das circunstâncias.
Se as circunstâncias não são apropriadas, nossa alegria fica relativizada.
Quanto à tristeza, o mesmo. Se a circunstância não estiver apropriada, ficar triste é impossível.
No entanto, o Silêncio não precisa de circunstâncias.
E na presença do Silêncio não pode haver nem tristeza nem alegria.
De uma certa forma, há o que chamamos de transcendência.
E, efetivamente, na mente há um aquietamento.
Efetivamente, no corpo há um relaxamento.
Se você não está vendo o que estou apontando, é porque, possivelmente,
você está olhando para qualquer outro lugar que não para Dentro.
Porque Dentro, inegavelmente, repousa o Silêncio.
E o detalhe é que o Silêncio não é separado de você.
Esse Silêncio, essa atenção silenciosa é quem você verdadeiramente é.
Veja! Eu não sugiro que você acredite no que estou dizendo -
muito antes pelo contrário -, eu posso, inclusive, pedir que não acredite em mim.
O que sugiro, é que veja se você é esse Silêncio aqui e agora.
Mas somente aqui e agora, você pode ver que você é o Silêncio.
E aqui e agora não pode haver nenhum pensamento, porque não há tempo para pensar.
Aqui e agora não há nenhuma sensação, porque não há tempo para ter uma sensação.
Então, o que fica no imensurável aqui e agora?
Verifique, em menos de 1 segundo, e eu quero ver nos seus olhos para onde você está olhando.
Isso é você.
Agora, deixe expandir.
Deixa isso tomar conta.
Cuide com carinho.
quinta-feira, outubro 14
Que delícia de amora!
Um monge estava caminhando na floresta e um tigre saiu atrás dele para comê-lo. Ele fugiu o quanto pôde, até que, subiu num longo cipó na beira de um penhasco. Quando chegou no meio do penhasco, olhou para cima e viu que havia um outro tigre o esperando. Nessas alturas, dois ratinhos saíram de um buraco e começaram a roer o cipó. Ele olhou para cima, olhou para baixo e havia um tigre em cada direção. Quando olhou na altura dos seus olhos, viu uma amora. Ele esticou o braço e colheu a amora. “Que delícia essa amora!” – pensou.
É com o presente que você tem que se ocupar, não é com o que passou, nem com o que virá. Primeiro, porque não está nas suas mãos. Se a Existência quiser ter a experiência de ser apanhada por um tigre, ela vai manifestar isso através de você e não vai ter escape.
Geet — E eu perco a chance de comer a amora.
Não perca essa chance. Mas, você costuma pensar: “Será que eu como a amora? Será que não como a amora? E se eu cair? Vou ter uma má digestão porque estou com medo e a adrenalina está a mil. Ai meu Deus! E aquele rato? Sai rato!” Você fica entre coisas não existentes enquanto há uma amora em seu bigode. A amora é o aqui e agora, é o presente do aqui e agora. Você come a amora e o tigre come você. Você é uma amora para o tigre.
Dê uma olhada em seu processo e veja. Você gasta a maior parte do seu tempo preocupado com o que passou, ou com o que virá, e perde tudo o que está acontecendo no presente. Você tem a impressão de que quando resolver todos os resíduos do passado, tudo vai estar ótimo – e o tempo vai passando, e as amoras vão passando.
quarta-feira, outubro 13
be emptyness. you are.
If you are full Consciouness here and now, what do you need to do? Nothing. So, again, I have to ask: "Who are you"? Do not think of the future. Do not worry about it, be present. This is what meditation means: to live the present. Any logic, any rationalization based on a worry about another possibility is a sign of distrust.
It seems hard and impossible to live with someone who has awakened, because this living will finish with you. A priori all your dreams are just imagination, the Master wants you to be empty, he wants you not to think. When you realize this, what does your mind wants? What is left for your mind to desire?
To imagine that when you wake up you will be carried on a fire brigade car, in every Brazilian capital and that people will throw flowers at you, is a sign that you did not understand something here. These, the ones that are celebrated, are the ones who feed the whole world's sleep, our heroes. An enlightened is not a hero, he is an anti-hero.
sábado, outubro 9
terça-feira, outubro 5
Nasce o buda
Alice — Imagino que um Buda nasce quando ele consegue realizar a sua essência, em paz com o corpo e com a mente, quando não foge e não tem um monte de máscaras...
Não, não é nada disso. Você precisaria de tempo para tirar as máscaras. Que máscaras? Para inventar as máscaras ou falar delas, você precisa de tempo. Quero que você entenda que tudo isso é construção mental. No Zen, eles costumavam dizer que os desejos, todas essas construções mentais, são “flores no ar”.
Alice — Por quê?
Dê uma olhada no ar. Tem alguma flor em algum lugar?
Alice — Não.
Como arrumar as flores no ar? Você perde seu tempo tentando arrumar uma coisa que é ilusória, maya. Você está tentando arrumar uma coisa que não existe. Sei que é difícil entender. Veja quem você é.
Todos os nossos problemas, tudo o que capitalizamos como problemas e reverenciamos como nossos, são “flores no ar”. Dê uma olhada nesse instante. Qual é o seu problema? Tem algum problema?
Ronaldo — É constrangedor!
A simplicidade é constrangedora.
Bodhi — Dá muita paz.
Toda a paz do mundo. Isso que você está experienciando agora, pode ser experienciado o tempo todo, onde quer que você esteja. Simplesmente pare e veja que não tem problema. E nasce o buda.
segunda-feira, outubro 4
A ideia de ser um peixinho é inadequada
Esta é a verdade: você é o oceano.
A ideia de ser um peixinho é inadequada, causa separação.
E a separação causa sofrimento e o sofrimento causa a infindável busca pela felicidade.
Não há felicidade, tanto quanto não há sofrimento.
Você só sofre porque quer felicidade, mas já deveria saber que a felicidade vem e vai,
o sofrimento vem e vai... nada fica.
Tinha um carro que você se apaixonou, ele veio e foi.
Tinha uma mulher por quem você morreu de amores – ela veio e foi.
Essa é a lei na periferia: ir e vir.
Tudo aquilo que aparece, desaparece. Tudo aquilo que vem, vai.
Só tem uma coisa que não vem, nem vai, que fica permanentemente.
Quero que você atente para isso.
Encontre aquilo que nunca foi, nunca irá e não veio de lugar nenhum.
Há milênios o homem tem descoberto isso e passado para aqueles que querem saber.
Me parece que estamos num momento em que é necessário que muitos saibam.
Seja um deles. Saiba quem você é! Chega de se confundir com os sentimentos,
com o corpo e com a mente.
O Osho dizia que você não é o seu corpo e não é a sua mente.
Aliás, não somente o Osho, mas também Buda e todos os mestres disseram e dizem.
Veja! Estou aqui falando para Aquilo e Aquilo está ouvindo o que estou dizendo.
Aquilo está falando e Aquilo está ouvindo.
Sua mente não é necessária, ela é inexistente, não tem consistência.
Numa certa medida, o que está sendo apresentado é impossível
porque vai contra um trilhão de coisas que vocês têm vivido como realidade.
Aqui, então, você tem que ser um tanto arguto e corajoso para ver o que está sendo apontado
quinta-feira, setembro 30
não tente mudar
Só há uma forma de você ver e é ficando quieto. Esse “quieto” é um quieto que não pensa. Você tem tentado se ajudar, todo mundo aqui tem tentado ser o melhor: a sua mãe, a sua irmã, você. Não está na hora de parar de tentar ser o melhor e aceitar tudo do jeito que é dado, como está posto? Com carinho, com compaixão. Quem é você para se meter? E se você se meter, aceite com totalidade que você se mete, ou aceite que alguém se meta na sua vida. Não tem problema! Não brigue, não tente mudar aquilo que está posto.
Quando você tentar mudar aquilo que está posto, não tente mudar que você está tentando mudar. Tudo é aceitável. Dê boas-vindas a todos os pensamentos, sentimentos, a todos os seus processos. Pare de julgar tudo como inadequado. Não há inadequação. As coisas estão acontecendo porque estão acontecendo, você não precisa fazer nada. Todas as ideias que colocaram dentro de você, de que algo precisa ser feito, é perda de tempo. Você tem que ver isso claramente, sem nenhuma dúvida.
Não é para acreditar. Não acredite em nada do que estou falando. Olhe, verifique, observe. Veja se tem sentido, se tem realidade, se é tangível para você. Porque, se for tangível, é seu, ninguém pode lhe tirar. Você está vendo com seus próprios olhos.
Lembre-se: a essência da mente é pensar, então, ela pensa. Deixe-a pensar! Até agora, você tem brigado com isso, não tem aceitado, tem achado inadequado porque você leu em algum lugar que era preciso parar de pensar. Mas, diga-me: você pensa? O Ser pensa? Não, o Ser não pensa. Então, não precisa parar de pensar, apenas dê-se conta de que você não pensa.
quarta-feira, setembro 29
“Ser” não depende de nenhum fazer.
Não adianta perguntar a resposta fundamental para sua mente,
porque sua mente não sabe.
Então, aqui, existe a comunhão do Satsang -
um olhar direto para aquilo que você é, agora.
E, se você quer saber quem você é,
no agora não dá tempo de tecer nenhum pensamento a esse respeito.
Em outras palavras: se está tentando capturar “quem você é”,
significa que você está imaginando que você seja um objeto
que possa ser capturado, contido.
Mas quem capturaria esse objeto?
Agora é ausência de tempo.
Então, agora, você não pode capturar o objeto que você é,
e, inclusive, eu não estou pedindo que você faça isso.
Eu proponho, na verdade, que pare de tentar capturar “quem você é”.
Se alguém está propondo isso para você, está propondo erroneamente.
Se você segue essa proposta, o que vai acontecer é que você vai tecer uma filosofia
que, por mais bonita que seja, não é verdadeira.
Você não precisa capturar “quem você é”,
simplesmente porque você já é você.
Para a mente isso não faz o menor sentido.
E é aí, exatamente, que se encontra a necessidade de estarmos em Satsang.
Porque estamos aqui para sermos quem somos e não para aprender alguma coisa.
Se está aprendendo algo, você está aprendendo com sua mente.
“Ser” não depende de nenhum fazer.
No entanto, quem você pensa que você é, foi feito.
Isso que você pensa que é, é tão pequeno que seria incapaz de compreender,
de conter o “Ser”.
Então, estar em Satsang significa “Ser”.
Estar em Satsang significa colocar de lado todas as idéias que você tenha
a respeito do mundo e de si mesmo e simplesmente Ser.
Antes de ser mulher, para você ser mulher, primeiro você tem de “Ser”.
Mulher é um adjetivo, mulher é algo colocado ao redor do “Ser”.
O que quer que seja que você descreva como sendo você, é posterior ao “Ser”.
terça-feira, setembro 28
O passado não está aqui!
Jogue tudo fora! Esqueça tudo o que ouviu antes.
Vamos começar tudo de novo...
Você precisa aprender a começar tudo de novo
em todos os momentos.
Nao existem respostas prontas.
Esqueça todo o blá blá blá. O passado não está aqui.
Você diz que gostaria de celebrar a vida.
A minha pergunta é simples:
quem exige que você seja mais celebrativa?
Não imagine nada! Simplesmente olhe e veja.
Participante – Eu não encontro uma resposta.
Porque não há uma resposta. Então, eu pergunto:
dá para a vida ser simplesmente do jeito que está sendo agora?
Participante – Sim
Agora, só por um instante, permita-se "imaginar” que você está
dando “ok” para o fato de ser alguém que está brigando com a vida.
O que acontece?
Participante – Aí tudo se torna uma piada. [SORRINDO]
Este é o “sim” que eu o convido a dar.
Este é o “sim”. É um simples “sim”.
Veja! O que você está precisando agora?
Participante – Absolutamente nada.
Quando digo que devemos celebrar a vida,
estou propondo que você celebre este momento.
Veja como é fantástico!
O que está acontecendo com você agora?
Participante – Celebração.
Viu como é simples?
Você queria celebrar a vida e agora está celebrando.
segunda-feira, setembro 27
do aqui para o aqui
Você pergunta como chegar ao aqui e agora...
mas, eu pegunto:
“Como chegar a um lugar onde você já está?”
Este é um grande dilema.
Você imagina que o aqui e agora não está acessível,
que algo precisa ser feito,
e, assim, se perde em seus pensamentos.
Se pudesse olhar com total sinceridade e honestidade
para os pensamentos, para os desejos –
que são pensamentos ocorrendo na sua mente –,
como coisas sem importância, com as quais não existe
nenhuma necessidade de se incomodar ou fazer algo,
o que lhe aconteceria?
Experimente!
Assim como um pensamento vem, vai.
Ele não vem de lugar nenhum e some.
Mas você tem um enorme apego: ou gosta do que pensa,
ou não gosta do que pensa.
Você tem se devotado aos pensamentos,
mas os pensamentos, em si, não têm o menor apego a você.
Eles não são fiéis, não ficam com você para sempre.
Ou há algum pensamento que o acompanha desde o seu nascimento?
Não há.
Mas você tem colocado toda a sua energia em ser fiel aos pensamentos,
em resolver os problemas deles, em fazer o que eles disseram,
ou em evitá-los como se fossem algo real.
Será que é preciso toda essa importância
que você dá para os pensamentos,
ou você pode desconfiar deles?
O meu convite é que você desconfie de todos os pensamentos que tem.
Todos!
Não apenas dos pensamentos ditos negativos, mas dos positivos também.
sexta-feira, setembro 24
não existe pensamento sem tempo
Você tem construído uma entidade imaginária, que é mensurável,
e você se identifica com ela. Mas, por que se identificar com algo que não é você?
Você sofre tentando manter todas as ideias juntas, conectadas,
com uma certa coerência. Freud chama isso de “ego”, e antigamente
os budistas chamavam de “eu”. É aquela noção de que há um “eu”,
um alguém com identidade própria, com um limite.
Porém, o que é necessário para qualquer limite?
A identidade, a entidade, precisa de tempo e espaço.
Para pensar a si mesmo, é necessário tempo – não existe pensamento sem tempo.
Da forma como você se compreende, você pode existir sem o tempo?
Você pode pensar sem o tempo? Experimente!
Pense a si mesmo sem ter tempo para pensar – isso não faz o menor sentido.
A verdade é que, se não te derem tempo, você não tem a menor ideia
de quem você é. Para a sua mente existir, para o ego existir, para pensar
a si mesmo, você precisa de tempo.
O infinito é o que você é. Isso, que existe na ausência de tempo
e na ausência de espaço, é você. Como nada pode existir na ausência
de tempo e de espaço, você, em si, não existe. Essa é exatamente a sua realidade.
Você é algo que não pode ser tocado, que não é tangível, que não pode ser medido.
A transcendência do Ser ocorre na ausência de tempo e na ausência de espaço.
quarta-feira, setembro 22
É tempo de encontrar!
[Satyaprem] O que você perde, aceitando isso que não quer aceitar?
[Participante] O que perco? O que tenho em minha mente.
Isso em que estou enganada.
[Satyaprem] O que a sua mente lhe dá, que é tão precioso?
[Participante] É a segurança do ego, a segurança de estar aqui.
Mas não é isso. Sei que não é...
[Satyaprem] Qual é a minha pergunta?
[Participante] O que é tão precioso, que minha mente me dá.
[Satyaprem] O que é, tão precioso? Presença, silêncio,
tranquilidade, clareza, luz, confiança, compassividade,
paciência, amor, perdão... Tudo isso?
[Participante] Estou em "choque", não estou escutando...
É como se não pudesse nem te entender...
É como se estivesse tudo cruzado.
[Satyaprem] Bom.
[Participante] É como uma bomba. É como uma explosão.
[Satyaprem] É por isso que você me trouxe aqui. Você está cansada.
[Participante] Sim.
[Satyaprem] Você está cansada de buscar. É tempo de encontrar.
Mas você tem que arriscar tudo!
[Participante] Dá medo.
[Satyaprem Sim. Obviamente. A gota está vendo o Oceano
e vê que vai desaparecer, se saltar. Não vai ficar nada de você.
É natural. Então, aceite o medo.
[Participante] O desafio.
[Satyaprem] Sim.
[Participante] Saltar. Não pensar.
* Trecho de Satsang em Bogotá, Colombia, 2009.
terça-feira, setembro 21
Consciência é tudo que existe
Não há resposta a ser procurada. A questão é irrelevante, é somente um dispositivo que aponta para que você veja quem você é. Está além da periferia ou do centro. Essa pergunta somente aponta para algo. Você faz a pergunta e imediatamente olha para aquilo que você é, sem passar por nenhum pensamento ou sentimento. É a experiência da não experiência. É algo que pode ser visto diretamente, sem reflexo.
Quem você é, existe embaixo de tudo o que acontece na assim chamada “periferia”. Você não pode ser percebido, nem com os pensamentos, nem com os sentimentos, nem com a sua mente, nem com o seu corpo. Você é aquele que transcende o corpo e a mente. Você tem que ter uma experiência direta do Ser que você é.
O “Eu Sou” é uma manifestação da Consciência em repouso, o grande “eu”. Não existe um “como”, a pergunta apenas aponta para você ver. Há um momento em que você tem que largar a pergunta também.
A pergunta é abandonável, você só pergunta para ver – está além dos sentidos. Você pode sentir uma manifestação energética, mas o Ser não é uma manifestação energética. O Ser está além das manifestações. As manifestações pousam nele, vêm dele. É o oceano e as ondas. O Ser não é escuro, nem claro. Ele não tem forma, limite, não tem o que você possa ver, é indefinível. Estamos aqui apenas para que você perceba que o que você vê não faz sentido intelectualmente. No entanto, você é capacitado a ver e isso está disponível todo o tempo, aqui e agora.
Não existe um ponto de onde você venha. Não há um ponto de foco, de nascimento. Não tem um ponto de morte. O Ser não vem, nem vai – ele é a única coisa que permanece. O Ser não se move, não faz barulho; o Ser é apenas observação vinda de lugar nenhum. Chamemos de “Consciência”. Essa Consciência é tudo o que existe. Qualquer que seja a forma que essa Consciência tome, é ela. A forma é efêmera; a Consciência permanece.
segunda-feira, setembro 20
eterna vigilância
O que me parece que é importante é que você
se distancie daquele que tem dor.
Veja que você não é aquele que tem dor.
E isso só vai se estabelecer na medida em que
você não só aceita a proposta, como verifica e medita sobre isso.
Entre nisso e comece a notar quem é que está com fome,
quem está com sede, quem está com sono...
Volte ao princípio de tudo e dê-se conta de que
você é aquele que observa. E isso é um fato!
Não estamos tratando de uma teoria.
No entanto, foi criada uma identificação com o observado
desde os primeiros momentos de vida.
E você confunde aquilo que está sentindo, como sendo você.
Mas o processo de observação é o que eu o convido a não parar.
Continue observando. É uma eterna vigilância!
Veja que aquele que está sentindo isso ou aquilo, não é você.
Note que as sensações passam e você não passa.
Podemos considerar que a observação se estabeleça,
de uma certa forma, através de uma prática.
Mas, ulteriormente, isso já é você. Esse é o ponto.
Talvez seja complexo para você compreender.
E é por isso que eu faço alguns movimentos em direção
a seguinte verificação: agora, nesse instante,
tudo que está ocorrendo, está ocorrendo em si,
ou porque você tem a observância desse acontecer?
Claro que é duro submeter-se a essa Verdade.
Porque, dessa maneira, todas as metas do seu ego,
todos os métodos, todas as ideias ficam temporariamente canceladas.
Mas é tão simples! Não tem nada a ser feito.
E se você olha com clareza, é possível ver que
nem aquele que está morrendo é você.
sábado, setembro 18
você é um 'não-eu'
Onde estão, agora, todos os acúmulos de conceitos, de conhecimentos,
de grandes revelações que você teve?
As pessoas vivem com conclusões às quais chegaram no dia anterior.
Você vai viver hoje de acordo com aquilo que decidiu ontem?
Essa não é a criança. Esse não é o Buda.
O Buda é ilógico.
Seus pais não irão gostar disso. Nem você vai gostar, na verdade.
Porque você sempre teve que ser coerente.
Se tomou uma decisão ontem, como mudar de ideia hoje?
Aqui, entenda, estou falando de conclusões a respeito
do que a realidade seja ou de como você deve se comportar.
Não estou falando de compromissos que você assumiu.
Preste bem atenção! Se assumiu um compromisso vá até o fim,
não use desculpas. Mas as decisões que você toma a respeito de
como deve se comportar, não passam de imaginação.
Dê-se conta de que não existe “você” para fazer as coisas.
Tudo vai acontecendo, não é você que está fazendo nada.
Eu sei que parece controverso o que estou dizendo,
mas é aí mesmo que devemos entrar.
Parece controverso porque você ainda tem dúvida
de que, talvez, exista um “eu”.
Você é um "não-eu".
E esse "não-eu" que você é, é o mesmo que eu sou.
Mas você ainda questiona: “Como as coisas são feitas?
Como eu devo fazer as coisas?” Você não as faz,
elas acontecem através de você.
Veja! Você tem tomado grandes decisões que o torturam,
que não lhe deixam em paz. A grande brincadeira é que
você não pode viver de acordo com suas ideias.
Quando você "des-decide", as coisas fluem, acontecem.
Se ainda não se deu conta disso, investigue!
Continue tentando fazer algo. Mas, se já se deu conta
de que tudo acontece do jeito que tem que acontecer,
quanto mais solto você estiver, quanto menos ambicioso for,
quanto menos egoísta for, quanto menos investir
em querer que as coisas sejam do jeito que você gostaria que fossem,
mais rio você se torna. Você se torna um rio fluindo...
fadado a desbordar no Oceano.
sexta-feira, setembro 17
Basta olhar para dentro
A ênfase em olhar para dentro deve ser absoluta.
Se você olha para o lado externo, vê limitação, em todos os lugares.
Se olha para fora, tudo o que você vê é limite, inexoravelmente.
E diante disso, antevemos que esse corpo e essa mente têm limites,
porque eles foram condicionados por pessoas altamente limitadas pelo tempo,
pela cultura imposta. E você até pode trabalhar isso, mas, mesmo assim,
não há ilimitado na mente e no corpo.
Portanto, a ênfase é: vá para dentro!
E na medida em que você vai para dentro,
vê que as pessoas estão se atropelando -
nessa ansiedade, nessa angústia, nesse medo -,
porque tudo que elas têm está do lado de fora.
Você tem que começar a ver isso no seu dia-a-dia.
Comece agora! Este é um bom momento.
Neste instante: quem é você?
Onde você olha para responder esta pergunta?
Olhe para dentro! Comece a entender o que “dentro” significa.
E, de dentro, não pode surgir nenhuma resposta,
senão Silêncio, relaxamento, paz.
Toque nisso, se desmanche nisso... Está presente aqui e agora!
Meditação não é uma técnica a ser feita, é algo inerente,
que está dentro de você. Basta olhar para dentro.
quinta-feira, setembro 16
Tudo é Leela. Aprenda a brincar!
Tudo o que acontece tem de acontecer e, nesse sentido, nada acontece. Na periferia, as coisas acontecem: elas vêm, vão, e mudam de forma – inclusive você. Você era uma criança, um bebezinho, depois cresceu, ficou adolescente... depois uma mulher e, eventualmente, você vai virar uma mulher velha, mudando de forma constantemente. Tudo o que existe no corpo, na periferia, é uma mudança. No entanto, você tenta aprisionar, conter uma ideia de si mesmo.
Mas veja que você tem falhado – ou você se lembra de tudo o que aconteceu? Tanta coisa já passou. Quando você vê que tudo é como água corrente, não tenta segurar a água com as mãos, você a deixa correr. Inclusive, tire as mãos da água e diga: “Vá para onde quiser”. Um barco perdido, necessariamente, bate no Paraíso. Porque não há nada mais que não seja o Paraíso! Tudo o que há é o Oceano. Você vai sair do Oceano e cair para onde? Você volta para o Oceano de onde veio, de onde nunca saiu.
Você pensa estar fora apenas na sua imaginação, mas, na realidade, não tem nada fora da Existência, não há nada fora da Consciência que você é. Você pode pensar que foi a Marte, ou que foi a princesa Isabel, mas isso não faz de você a princesa Isabel. Você não é a princesa Isabel. Você não é nem aquilo que você está pensando que é, imagine, então, ser a princesa Isabel!
Quando se dá conta de que você não tem limites, o que pode aterrorizar esse Ser que você é? Não tem nada fora dele. O medo, a angústia, a ansiedade... todos esses sentimentos são periféricos, acontecem na ideia de separação. No momento em que você olha e vê que não está separado, tudo isso fica irrelevante, sem sentido.
Você pode fazer o que quiser, o que pintar na sua cabeça, não muda absolutamente nada. Tudo é uma grande brincadeira, leela. Aprenda a brincar!
quarta-feira, setembro 15
Um toque no particular...
Existe na maioria dos sannyasins do Osho, a ideia de que se ouvirem um mestre vivo,
estarão traindo o Osho. Eu acho que essa é uma noção muito equivocada.
Não é isso que ocorre. Até porque, ouvir outro mestre não significa
que você vai entrar no caminho dele, ou o que quer que seja.
De verdade - e hoje eu vejo isso de uma maneira muito mais pura -,
não existe caminho do mestre. Não existe nem caminho. Não existe mestre.
Existe você mesmo criando circunstâncias e situações para ver
quem você realmente é.
Os personagens que apareceram com o nome de mestre na minha trajetória,
no final dela, de nenhuma maneira, se contrapõem à ligação que eu chamaria de
discípulo e mestre com o Osho. E, além do mais, o Osho descreve isso muito bem.
Ele diz que você começa como discípulo, vira um devoto,
e ultimamente você emerge no mestre, onde existe uma dissolução,
onde não existe mestre nem discípulo. Então, permanecer numa
redução relacional dualista de mestre e discípulo é incompreensão.
Aqueles que não compreendem isso, não compreendem seu próprio mestre.
Chega um momento em que você tem que se expor a todas as coisas
que a sua mente chama de perigosas, exatamente para testar a veracidade,
a existencialidade, do que o seu mestre lhe propôs. Aqui, eu tomo o mestre,
o Osho, como literal nesse momento. Nunca houve a necessidade
de um outro mestre. Quando estive na presença de outros mestres,
eu não estava buscando um outro mestre. Na verdade, ir em direção a um mestre vivo
é, talvez, para completar o que já foi iniciado. E, ademais, nunca houve comparação.
Eu gostaria que as pessoas, principalmente os discípulos do Osho,
se dessem conta disso: ele não falhou de maneira nenhuma na proposta que foi feita.
O seu trabalho foi começado. E de uma certa maneira -
vou dizer isso, vendo a controvérsia e talvez o mal entendido que pode ser gerado -,
você tem que terminar. Terminar o trabalho do mestre é olhar literalmente
e tentar entender com o máximo de clareza o que significa todos os toques e
dicas aparentemente contraditórias que ele gerou. Mas, de verdade,
ir de encontro a um mestre vivo talvez seja o Toque de Midas que você precisa
para compreender que o Osho já deu tudo o que você precisava,
e você está completo.
O trabalho do Osho foi, para mim, um diferencial.
Não existe nenhum outro mestre que tenha tido a abrangência de atuação
que ele propôs. Fez uma proposta radical e avessa. Trabalhou um campo
e o tornou fértil. Ele sabia que a iluminação viria, mais cedo ou mais tarde,
irremediavelmente. Ele se preocupou com o geral. Propôs uma mudança.
Talvez ele tenha agido como uma mudança social, uma mudança de paradigma.
E hoje os mestres estão dando um toque no particular.
Os medos que a mente tem, de traição, por exemplo, são equívocos.
Isso é muito fácil de ser eliminanado, se você estiver pronto.
E se você não arriscar se perder, não vai se encontrar.
Portanto, estar na presença de um mestre vivo, talvez o faça ver
que dentro de você tem algo vivo que você nem se deu conta que está vivo.
_
Trecho de Entrevista concedida à Regina Festa,
São Paulo, agosto de 2009.
terça-feira, setembro 14
os lírios não têm ideia do mundo
Veio à tona um poema do Fernando Pessoa, em que ele diz:
“O mundo não é ideia minha.
A minha idéia de mundo é que é ideia minha”.
Se você notar que tudo que você concebe são apenas ideias
que você tem a respeito das coisas, você saberia que as coisas são as ideias
que você tem das coisas.
Satsang é fazer com que você encontre as coisas na sua pureza,
sem a interferência de suas ideias.
Nesse encontro entre você e as coisas, você vai notar que não existe nem você
nem as coisas. Ou, melhor dizendo, você e as coisas são a mesma coisa.
Mas você precisa ter a coragem de ir de encontro à remoção da tela
que o separa de tudo.
Você sofre no mundo, não porque o mundo quer que você sofra,
mas porque você tem uma ideia de mundo que é sofrível.
Nós estamos aqui para mudar a nossa ideia de mundo? Não.
Tenhamos ideia nenhuma de como o mundo deva ser.
Vivamos o mundo do jeito que ele é, como os lírios –
eles não têm ideia nenhuma do mundo.
Você já viu algum lírio tentando virar presidente do mundo ou pregando a paz?
No momento em que todas as pessoas virarem lírios,
o mundo deixa de existir; porque o mundo é exatamente a ilusão em acontecimento.
Se tiver a coragem de olhar para o que estou dizendo,
uma série de conceitos que estão condicionados na sua mente –
como sendo realidade –, começarão a sofrer um desmantelo.
Satsang elimina toda a mentira.
Se o coito não for interrompido, você vai até o fim.
Se o coito for interrompido, nesse caso, as suas prioridades ainda estão intactas.
segunda-feira, setembro 13
O "eu" não é você!
A sua natureza é Observação.
Você não pode ser nenhuma outra coisa.
Praticamente todas as coisas que estão em pauta, a maior parte,
fazem parte da dimensão dessa entidade "eu". Mas isso não é você.
Portanto, não controle a entidade. Não faça nada com ela.
Eu não estou aqui o convidando a fazer algo em relação a ela.
Somente assuma a sua condição de Observador e observe.
Essa entidade é um político. Ela quer falar por você.
Ela pensa que sabe o que é melhor para você.
Mas esse "você", que está em pauta para ela, é ela mesma.
Não é você.
Se você começa a se dar conta – e é fantástico de ver –,
nota como ela está em ação no dia-a-dia.
Ela faz muitas coisas e talvez seja um pouco desesperador
descobrir que não tem "você" em lugar nenhum,
que, praticamente todo o tempo, é a entidade que está agindo.
De alguma maneira, você está me ouvindo em Satsang,
mas ainda não trouxe para a realidade do agora, aquilo que você vê,
aquilo que você é.
Tem uma metáfora interessante:
"É como um homem que parece pobre,
mas tem trezentos milhões de reais no banco".
Por que ele não usa sua riqueza?
A mente, a entidade, está sempre lidando com o mundo
sob uma noção de pequenez. A entidade é muito pequena,
e está sempre tentando ser aprovada, se engrandecer.
Não há o que fazer. Não tem como remediar isso,
porque a relação dela com o mundo é exatamente assim.
A entidade "eu" é infinitamente minúscula.
Enquanto você, quem você verdadeiramente é, é infinitamente vasto.
Veja! Que tamanho você tem, agora?
Mas a maioria das suas relações sofrem regulagens
sob a ótica da pequena entidade.
Existe tamanha identificação com os objetos, com os pensamentos,
com as sensações, com os sentimentos, com o corpo e com a história.
Toda essa identificação é estorvante.
A estrutura da entidade está sempre lhe trazendo para a realidade dela.
E a Consciência, diga-se de passagem, não briga com o estorvo.
A Consciência não briga com nada,
Ela simplesmente aceita essa (aparente) realidade reducionista -
que te limita e obviamente o faz sofrer,
porque você não se dá conta de que "tem 300 milhões no banco".
Talvez seja isso que Jesus estava dizendo, quando propôs:
“Perdoai-vos, eles não sabem o que fazem”.
domingo, setembro 12
sexta-feira, setembro 10
Você não pensa, nunca pensou e nunca pensará.
Henrique — Satyaprem, tem pensamentos que vêm a nós...
Todos os pensamentos vêm. Você não pensa nenhum pensamento, todos eles vêm.
Henrique — Mas tem alguns pensamentos que não gostamos de pensar.
E tem aqueles que gostamos de pensar.
Na verdade, quando não gostamos de determinados pensamentos, tentamos evitá-los.
A minha pergunta é: “Quem tenta evitar?”
Henrique — A mente.
A própria mente, que pensa, tenta não pensá-los.
Ou seja, ela pensa que não está pensando, mas isso é só mais um pensamento.
Isso é o pensar inadequado, porque é a mente que está pensando.
Você não pensa, nunca pensou e nunca pensará.
O pensante é o pensamento com julgamento.
Por exemplo, você fica com raiva de algo que aconteceu
e permanece com aquele pensamento, mas você não o quer e tenta não pensá-lo,
tentando interferir naquilo que está acontecendo. Ou seja, é a própria mente
que está pensando, tentando não pensar e tentando interferir
em algo que não pode ser interferido.
Outro exemplo: está chovendo. Tente fazer parar de chover e será em vão.
Isso é o que chamo de “pensante”, você estará pensando em vão.
Quando pensar em algo com essa qualidade, pense totalmente.
Pense tudo o que tiver que pensar sobre o assunto,
dê rédeas àquilo que você não gosta. Não estou dizendo para fazer algo.
Simplesmente contemple, observe, não interfira.
A mente “trabalhante” (working mind) é o pensar objetivo.
O pensar “trabalhante” é aquele que fundamenta uma ação real no aqui e agora.
Por exemplo, vindo para cá, eu precisava lembrar do que trazer e qual estrada pegar.
A mente é capaz e é para isso que ela existe. Mas pensar em me tornar o Brad Pitt?
Para quê? Não tem fundamento real, é um pensamento inadequado,
porque é um desejo artificial, é algo improvável.
Seria o cacto tentando se tornar uma orquídea, ele não pode virar uma orquídea,
por mais que tente. Essa é a mente pensante tentando realizar uma coisa
que é impossível em termos reais. Há pensamentos que não têm função real,
eles apenas acontecem. Por eles apenas acontecerem, você não se envolve neles.
Deixe que venham.
.
Trecho do Livro "Fragmentos de Transparência",
A orquídea e o pensar.
quinta-feira, setembro 9
Simplesmente devemos estar disponíveis...
Nenhuma ação correta pode nascer de uma decisão,
a ação nasce da observação daquilo que você é, da clareza -
é um transbordamento.
Nos encontremos até que seja totalmente descartada
a possibilidade de que você não seja aquilo que eu estou dizendo.
Porque uma vez que você veja “quem você é”
e isso esteja absolutamente transparente,
você devota todo o seu movimento a Isso.
Eu não estou o convidando a fundar uma religião.
Simplesmente devemos estar disponíveis.
Enquanto você falar grego, precisa falar com quem entenda grego -
até a realização do Silêncio,
onde você não precisa falar nada e nem ter ninguém para te ouvir.
A partir desse ponto, a sua solitude é poderosa em si.
Não tem o que fazer, você não precisa nada.
Você não precisa do outro.
Mas, enquanto o outro é necessário, que seja “o outro exato”,
Encontre-se com aqueles que estejam buscando a mesma coisa;
que estejam reverenciando a mesma coisa;
que estejam devotando o movimento existencial à mesma coisa.
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